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Atum: para além da lata de conserva

O atum é um peixe muito “querido” pelos portugueses, mas também, um pouco por todo o Mundo. É o terceiro peixe mais consumido entre nós, devido ao seu reduzido preço e fácil preparação, mas também é muito associado aos benefícios da inclusão de ómega-3 na nossa alimentação. Mas o que é realmente um atum é muito difícil de ser identificada pelo consumidor comum. O seu reconhecimento tem atualmente duas formas: Sushi/Sashimi ou lata de conserva. Mas o atum é muito mais do que o que nos aparece no prato.

Este animal é um dos maiores e mais rápidos migradores dos oceanos. Pode atingir facilmente os 60 a 80 km/h durante o seu processo de migração e, algumas espécies, podem atingir os 3 metros de comprimento e 600 kg de peso.

As suas referências históricas de captura são tão antigas como as da humanidade. Em Portugal, os primeiros registos datam do ano 151, na costa algarvia. Algumas espécies de atuns passam por esta zona, aquando da sua rota migratória, em direção ao Mar Mediterrâneo, o que permitiu o desenvolvimento das muitas comunidades piscatórias nesta região, ao longo dos anos.

Portugal chegou a ser um dos principais exportadores de conservas durante a Segunda Grande Guerra. Com o fim desta, as pescas proliferaram ao nível industrial, devido à maior exigência colocada sobre a indústria conserveira e ao desenvolvimento de novas técnicas e maquinaria. Esta altura correspondeu também ao início da pesca do atum em outros oceanos, como o Pacífico, principalmente por palangres japoneses de grandes dimensões. Também nesta altura, outros países como a República da Coreia, Taiwan e a Província da China, começaram a pescar atum.

Os ecossistemas marinhos enfrentam atualmente diversas ameaças. Algumas são evidentes para a maioria das pessoas, como a poluição e o aquecimento global, mas existem outras que são menos conhecidas, como a sobrepesca. Os dados são preocupantes: mais de 70% das espécies de peixe em todo o mundo são capturadas em excesso. Algumas das mais importantes são consideradas como estando em perigo, pois a sua captura é muito maior, do que o tempo em que a população volta a repor o número de indivíduos, e o atum não é exceção.

O valor comercial atribuído ao atum tem vindo a aumentar bastante nas últimas décadas, assim como o número de indivíduos capturados. Segundo a classificação do IUCN (International Union for Conservation of Nature), algumas espécies de atuns estão já em perigo de extinção, devido à sua grande vulnerabilidade e à sua contínua procura para os mais elaborados pratos de sushi. No Japão, todos os anos vai a leilão o primeiro grande atum-rabilho capturado, sendo normalmente arrematado por milhões de euros.

Para além da conserva, o atum é um peixe muito importante não, só no ecossistema marinho mas também na história e na cozinha portuguesa. Sendo um produto bastante rentável, as políticas de regulamentação e conservação existentes, podem não ser suficientes para a manutenção da sustentabilidade das populações.
Agora lanço um desafio: Vá até à sua dispensa e leia as informações contidas nas latas de conservas. Consegue saber quando e onde foi pescado o atum? Que espécies é que existem na lata? Não deveríamos saber mais sobre aquilo que colocamos no prato?

 

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