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Atividade suspensa – até quando?

Anos atrás, num curso que ministrei em Lisboa, um cliente referiu que gostaria muito de aprender a tocar piano. Ele há muito tempo queria saber tocar esse instrumento musical por uma questão de prazer pessoal. Ele contou-me que há um ano, tinha decidido que iria aprender a tocar piano, mas nada aconteceu. Pelo contrário, ele, um engenheiro da qualidade e sócio-gerente da empresa, dividia o seu tempo entre trabalho e família, e coincidentemente, desde há um ano, ele trabalhava mais, e a família reclamava mais do pouco tempo que estavam juntos. A questão era – Como resolver o problema?

Muitos de nós temos conflitos interiores, dilemas, por vezes entre dois desejos, sair para estar com amigos ou ver um filme em casa, outras vezes, mais preocupantes, entre duas decisões, aceitar uma nova proposta de trabalho ou ficar na empresa que trabalha, e outros entre dois ou três sectores de vida, como no caso do meu cliente, que foram os sectores do Trabalho, do Lazer (tocar piano que lhe traria prazer) e da Família (esposa e filhos).

Os dilemas podem o levar a um estado de stress passageiro até tomar uma decisão, ou de sentir-se paralisado, confuso, sem saber qual caminho tomar, ou um sector ganhar ao outro. No caso do meu cliente, o sector do trabalho estava a ter a primazia sobre a família, e no conflito entre dois sectores do trabalho e do lazer, o trabalho ganhou.

Isso acontece com muitas pessoas, em que num conflito entre sectores da vida, por questão de prioridade, ou por processos mais inconscientes como autosabotagem, um desses sectores ganha.
Para experimentar por si o que refiro, convido-o a fazer agora esse exercício simples. Imagine os seguintes sectores da sua vida, como Trabalho (que pode incluir carreira ou negócio próprio), Estudos, Família, União Estável (relacionamento), Filhos, Amigos, Lazer, Dinheiro, Exercício Físico, Saúde, Espiritualidade, Desenvolvimento Pessoal. Se vier mais algum sector ou área de sua vida à sua mente, pode anotar. Agora responda para si mesmo, toda a vez que você teve um conflito (interno) entre o sector A e o sector B, qual deles ganhou? Por exemplo, toda a vez que você teve um conflito entre Trabalho e Lazer, qual deles ganhou? Continue o exercício comparando os outros sectores.

A sua situação e a desse meu cliente são semelhantes a muitas outras pessoas com quem trabalhei. Muitas vezes, num conflito entre dois sectores das suas vidas, a maioria delas escolheu o prevalecimento de um sobre o outro, influenciadas por estratégias inconscientes que não as levam a contemplar um outro nível, em que poderia fazer-se uma síntese, ao invés de dar lugar a um sector vencedor.

O problema é que quando um sector fica com atividade “suspensa”, ou “perde”, como no caso do meu cliente com o sector lazer, o tocar piano, é uma parte da sua vida que continua a ser adiada, negligenciada. Se o sector do exercício físico ou da sua saúde fica em atividade “suspensa” por tempo indeterminado, é negligenciado, você provavelmente estará a ganhar peso, ficando menos saudável e criando condições para doença. Se o sector do trabalho vence ao da família, você terá problemas em casa. Se o trabalho vence o descanso ou o lazer, você poderá prejudicar a sua criatividade, a sua saúde, e o prazer de viver. Estes são alguns dos muitos exemplos que podem ocorrer, havendo outras combinações, como o sector do casamento em conflito com o sector dos Amigos, ou dos Filhos, ou da Família (pode aprofundar muito mais sobre este tema, neste curso online).

Aqui voltamos à pergunta do meu cliente – Como resolver o problema?

No caso dele, havia uma espécie de autossabotagem inconsciente, que acontece quando necessidades ou desejos coexistentes querem ser satisfeitos, mas à partida parecem ser conflituantes. De forma consciente para ele, optar pelo trabalho, ainda mais sendo empresário, era óbvio. Sendo o grande suporte financeiro da família, ele precisava trabalhar. O tocar piano era uma necessidade pessoal. Ele a desejava. Todavia, se ele começasse a retirar tempo para as suas aulas de piano, ele afetaria o tempo com a família, que não via o piano como necessidade, e da família seria retirado o tempo de convívio e presença dele. Isso lhe criava um sentimento de culpa misturado com a necessidade de querer estar com a família, de querer estar presente no trabalho de que gostava e sentir-se frustrado que o seu sonho de anos ainda não havia sido concretizado.
Talvez esteja a rever-se neste caso, com os seus próprios conflitos interiores. Até quando quer protelar os seus compromissos consigo?

Alguns de nós podem pensar que não é um grande problema deixar um sector em suspenso. No entanto, não percebemos que toda vez que adiamos algo, há um impacto negativo – uma marca que fica. Essa negligência que inicialmente parecia inofensiva, com o tempo mostra a fatura da sua presença. É como alimentar-se de uma forma não saudável. No dia-a-dia está alimentado, o impacto é pequeno. Contudo, depois de anos, quando as doenças mais graves aparecem – como ataque cardíaco, doença de Crohn, retocolite ulcerosa, problemas de pele, entre outras – entende que uma pequena ação poderia ter criado uma tremenda mudança a longo prazo.

Voltando ao cliente, após trabalhar com ferramentas específicas da MHM (que ensino neste curso online para que tenha uma vida e uma liderança mais satisfatória), ele conciliou a sua atividade antes suspensa – aprender a tocar piano, com os outros sectores, família e trabalho. O resultado foi que ele sentia-se muito mais realizado e entusiasmado, no sector do trabalho ele constatou que estava mais focado e a ser mais produtivo, gerando melhores resultados profissionais, e usufruia mais tempo com a sua família, e com qualidade. A integração desses sectores, importantes para ele, trouxe uma vida mais prazerosa e satisfatória.

E você? Quando fará paz consigo mesmo?

Karina M. Kimmig

Karina M. Kimmig foi galardoada Top Coach na Alemanha, autora do livro “Metodologia Humanística: Os Sete Poderes que Todos Nós Possuímos”, General Manager MORE Institute GmbH, Presidente de associações internacionais, cocriadora da MORE Humanistic Methodology, autora, blogger e referência internacional em desenvolvimento humano. Mais: https://more-institute.com

 

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