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Até o verniz estala!

21 de Maio

Acabei de entrar no metro. O autocarro chegou uns minutos atrasados à paragem e eu tive de descer a escadaria do metro a correr. Não tenho oportunidade de me sentar, mas não quero deixar de descrever o que acabei de presenciar. Se alguém me dissesse, eu diria que era mentira, que não era humanamente possível, entre outras formas de dúvidar que poderia me vir à cabeça, nestes próximos segundos. Escrevo ao deambular, pela velocidade inconstante do metro, não porque o acontecimento se deu aqui, só para que fique claro, mas porque merece ser descrito.

Bom, voltando à situação, a minha viagem de autocarro é mais uma das minhas rotinas diárias. Saio de casa, mais ao menos à mesma hora e entro, sempre que possível, no mesmo autocarro. Hoje, estando eu sentada nos bancos laterais, começo a sentir um cheiro conhecido mas invulgar no sítio onde me encontrava. Dou uma rápida olhadela à minha volta e não encontro nada de anormal dentro do autocarro. Mas o cheiro intensifica-se e a minha curiosidade aumenta. Volto a tentar observar com mais atenção. Do meu lado direito, na parte de cima do autocarro, uma mulher tem os braços engessados. Até aqui nada de especial para ser descrito, mas não me vou ficar por aqui. O que me fez voltar a revirar a cabeça novamente foi a peculiar ação que ela estava a efetuar, numa segunda-feira, antes das 7h da matina. Pintar as unhas! A senhora de meia-idade, com os dois braços engessados, pintava as unhas de um vermelho, bem vermelhão, ao mesmo tempo que o motorista conduzia o autocarro pelo bairro. A sua destreza era impressionante e parecia não ultrapassar “os riscos”.

Eu poderia levantar umas tantas e quantas questões, tendo em conta que era segunda-feira e que, do meu ponto vista, ter as unhas pintadas não é uma condição imprescidível para sair de casa, mas não vou julgar, somente descrever. Porque é uma das situações mais caricatas que já vi e escrevo por sentir mesmo respeito e talvez, um pouco de inveja, por quem conseguir ser coordenada ao ponto de ser capaz de pintar as unhas, num veículo em andamento e, volto a relembrar, com os dois braços engessados. Eu nem em casa sossegada, quanto mais numa situação destas. Seria mesmo de estalar o verniz!

LCP

In “Deambulando pelo metro”

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