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Assumpção

A) Eis uma das imensíssimas razões – https://24.sapo.pt/opiniao/artigos/trigemeos-e-a-indiferenca-do-estado-e-das-instituicoes – pelas quais eu nunca poderia militar em qualquer partido, seja ele o de mal menor, seja ele o mais ou menos vocacionado para políticas sociais. Se bem que qualquer política é, invariavelmente, social.

As doenças estão pelas autoestradas da amargura. Não podemos continuar brandos e temos que concordar com o insuspeito Salgueiro Maia: “Às vezes é preciso desobedecer”.

Precisamos de pôr as letras nas palavras. Há dias conversando acerca do que é a Esquerda e a Direita na Política, eu concluí: é a contramão da Democracia.

Puta que pariu!

Hoje tinha estabelecido outras prioridades e surge-me pela manhã aquele artigo que me destabilizou logo. De imediato me meteu um nojo do caralho – temos mesmo que por as letras nas palavras.

Ainda por cima acabam de me telefonar a desmarcar uma consulta que aguardava há meses, que teria lugar para a semana e que eu venho pedindo paulatina e reiteradamente o adiantamento por me sentir a piorar bastante, e hoje mesmo ia fazê-lo de novo e fazem isto… Assim. Ali.

Um dia destes viro marginal. Digo que sou bêbado e drogado, tenho todos direitos e mais alguns, e até prioridades nas consultas… como venho presenciando à beça.

Passam a ser eufemismos as minhas designações de eufemismo, mas não posso dar-lhe a volta. Por todas as razões não quero trazer os meus casos pessoais à colação, mas dão-me uma visão privilegiada das coisas que passo e pelo que presencio noutros, o que anula os apaniguados de meios políticos onde andam apenas a dizer amem, amem. De outro modo ninguém daria conta deles, é certo.

Num contexto em que eu não desisto, mas não insisto, passo a não poder dizer que desisto?

O meu Estado – o Estado de quase todos nós, começou a prejudicar-me muito cedo. Tem faltado aos meus direitos e chamado aos deveres num conluio.

Entre dezenas de casos que volta e meia vemos e nos indignamos muito? Sim Fui vítima, presenciei, dezenas deles muito piores. E não desvalorizo esses que se tornam notícia nacional. Antes se vemos muitos samaritaninhos, algumas vezes até com petições públicas.

Defendo que quem tiver feitio para choradinhos, que as televisões promovem à beça sem supervisão da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) cuidando de não permitir espiolhar vítimas desfavorecidas e perturbadas, que além dessa imprudência gera outras complicações – uma espiral em favor do prolongamento do probleminha, o sensacionalismo, e por mor da informação tóxica que passa para a opinião pública que faz doutrina, na vez de irem pelo lado pedagógico. Isto porque com ar de solidários / preocupados façam o melhor para o público em geral. Chegam a ser agraciados ou rostos de causas.

“A Dor Neuropática não é uma dor. É uma doença”, diz a comunidade cientista.

A cientista Leonor Gonçalves defende há uma dúzia de anos que “a Dor Crónica induz alterações no cérebro que conduzem à depressão”. Esta conclusão nessa altura valeu-lhe o Prémio Grunenthal Dor, pela primeira vez atribuído em Portugal.

B) Já dei notas ligeiras por dois ou três motivos meus.

Há dias, uma médica que conheço pela competência e por isso dirige o serviço diz-me: “Quando precisar venha cá e não avise. Apareça mesmo, senão vão sempre dizer-lhe que não podem atendê-lo.”

É que uma das coisas foi assim: sentia-me com muitas dores e como não há respostas, reduzo-me ao meu imenso sofrimento diário que me impede fortemente de ter vida própria. Não posso planear nada. Por vezes uma consulta ou tratamento. É uma vida que não é vida. Ponto. Sentia-me ainda pior. Foi uma terça feira pela manhãzinha. Ligo ao Serviço da Unidade da Dor para ver a possibilidade de ser atendido. Dizem-me que a médica não estava. Que ligasse na outra terça feira para falar com ela “para ver quando me podia atender”. Ligo. A médica diz-me que aparecesse na terça feira seguinte. Na terça feira seguinte a médica não apareceu, e não me avisou.

Lembrei-lhe que no hospital têm os meus contactos, mas ela afirma-me que por ser naquele contexto “particular”, “não tinha o meu contacto”.

Dá-se o seguinte: eu sofro de “Dor Neuropática” provocada por negligência médica.

Há uns anos tinha consulta de oito em oito dias, um número de telemóvel para ligar, numa emergência. Cabe aqui dizer que ao tempo não se usava muito o telemóvel nem a dinâmica nestes moldes que hoje os hospitais têm. Isto representa que a minha dor neuropática não era brincadeira.

Até ao dia em que fizeram desaparecer o meu processo clínico e haviam preconizado um aparelhinho na coluna, mas mais tarde afirmam “que é muito perigoso instalá-lo”. E deixaram de fornecer umas pomadas que não havia no mercado e só o serviço as disponibilizava, com o argumento de que “a dor é por dentro, e a pomada não faria efeito lá dentro”.

Isto assim para um leigo sabe que este tipo de “terapia” é muito, muito ancestral e que daí terá evoluído para as “pomadas”.

Sucede que após essa falta de processo, o espaço entre as consultas começou a dilatar, chegando por fim a quase doze meses. Mas o processo, o processo clínico, esse desapareceu, tal como de outros doentes. Só que, e como uma paciente me contou, anda na médica dela “também no consultório particular, e lhe disse: “Ai sim! Então vá lá amanhã que ele aparece”.
E como assumo, vai assinado como uso e confirmo com o sê-lo branco. Ninguém o vê.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)