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António Costa está fora da lista de Vieira

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, retirou esta semana da comissão de honra da recandidatura todos os titulares de cargos públicos, após as críticas ao primeiro-ministro António Costa e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

Nos últimos dias foram várias as vozes críticas à presença na comissão de honra do primeiro-ministro e do autarca, como apoiantes do atual presidente ‘encarnado’ nas próximas eleições para os órgãos sociais do clube.

“Agradecendo a todos a disponibilidade manifestada, tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos – todos – os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo”, sublinhou Luís Filipe Vieira, em comunicado.

A decisão de Luís Filipe Vieira surge na sequência das inúmeras reações negativas à presença de Costa e Medina na comissão de honra, considerando que tem assistido a uma das campanhas “mais hipócritas e demagógicas” de que tem memória.

O dirigente ‘encarnado’ disse que a justiça passou a ser feita nas redes sociais e na imprensa, “sem conhecimento dos factos”, em alusão aos processos nos quais se encontra judicialmente envolvido.

“António Costa, Fernando Medina e muitos outros foram atacados de forma incompreensível e torpe, não pelo apoio que, enquanto sócios do Sport Lisboa e Benfica, entenderam dar-me, como já o tinham feito em 2012 e 2016, sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido, mas, precisamente, pela perceção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação”, acusou Vieira.

Na mesma linha, o dirigente assinalou que a presença numa comissão de honra se esgota aí e não se prolonga após eleição, mas que não pode permitir que “instrumentalizem” o Benfica e a sua comissão de honra em “lutas políticas”.

“É triste que, 46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita”, acrescentou.

Na mesma nota, o responsável máximo do clube lisboeta deixou ainda a mensagem de que se for condenado em alguns dos processos que enfrenta na justiça, deixará o cargo de presidente do Benfica.

“Estou de consciência tranquila e, se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica”, adiantou.

Na nota, Vieira sugeriu ainda a líderes partidários e a alguns dos políticos “que mais se indignaram” para estarem mais “preocupados em combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial”.

O primeiro-ministro assinalou, por mais do que uma vez, que a sua presença na comissão de honra de Luís Filipe Vieira era a título pessoal e que não tinha nada a ver com a vida política e funções que desempenha.

Já antes, o presidente do PSD, Rui Rio, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e o porta-voz do PAN, André Silva, entre outros, criticaram o apoio de António Costa e de Medina a Luís Filipe Vieira.

As eleições para a presidência do Benfica, ainda sem data marcada, deverão decorrer em outubro, num cenário em que, além de Luís Filipe Vieira, já manifestaram intenção de se candidatarem Noronha Lopes, Bruno Costa Carvalho e Rui Gomes da Silva.