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Ana Sofia Varela volta a gravar e estreia-se como compositora

© DR

A fadista Ana Sofia Varela regressa aos discos com “A Mulher e Outras Guitarras”, no qual se estreia como compositora, 17 anos depois do seu anterior trabalho que lhe valeu um Prémio Amália.

O título é inspirado no álbum do guitarrista António Chainho “A Guitarra e Outras Mulheres” (1998), no qual participou. “A ideia é este álbum ser um recomeço, tal como foi com o do mestre Chainho”, disse Ana Sofia Varela à agência Lusa.

António Chainho (1998-2026) é um “dos grandes convidados” do novo álbum de Ana Sofia Varela, acompanhando a fadista no tema “Vim Para o Fado Fiquei” (Júlio de Sousa). Neste fado, uma criação de Carlos do Carmo, a cantora é ainda acompanhada por Bernardo Romão, também na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira, na viola, e Francisco Gaspar, na viola baixo.

O álbum “A Mulher e Outras Guitarras” é apresentado no próximo dia 28 de março, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Com cerca de 30 anos de carreira, Ana Sofia Varela estreia-se neste álbum como compositora, assinando três temas: “Sou filha do Guadiana”, de Paulo Abreu Lima; “Uma Vez que Seja”, de Ana Vidal, uma letra que António Zambujo também gravou, parcialmente, no Fado Zé Grande, de Raul Pereira, em 2004; e “Bacarola”, de João Cabral Nascimento, autor por quem se afirma “apaixonada”, tendo sido esta a primeira composição que escreveu.

“A poesia de Cabral do Nascimento inspira-me, as palavras têm musicalidade e torna-se muito fácil”, confessou à Lusa.

A fadista afirmou que a experiência como compositora “foi muito gratificante”, referindo o trabalho “muito bonito” com os músicos, e adiantou que tem “muitas mais [melodias] na gaveta”.

O álbum inclui algumas recriações, nomeadamente “Vim para o Fado e Fiquei”, de Carlos do Carmo, “Aqui” (Mário Rainho/Fado Varela, de Renato Varela) de Fernando Maurício, e “Sem Razão” (Fernando Farinha/Fado Vanda, de Alberto Correia), de Amália.

Recriar um tema “é sempre de forma natural”, procurando um afastamento da interpretação de quem o criou. “A partir do momento que gostamos do tema e o sentimos e vivemos, naturalmente a voz voa ao sabor da melodia e das palavras, é um processo muito natural”.

Um outro poeta escolhido é Fernando Pessoa, de quem canta, no Fado Adelina, de Alberto Costa, “A Roupa Estendida ao Vento”.

“As guitarras são o foco deste trabalho”, disse Ana Sofia Varela, que optou por ser acompanhada por diferentes trios de músicos, permitindo “vários ambientes, por cada tema, mas sem destoar”. 

Para a fadista, “está um disco equilibrado e harmonioso, e com a personalidade de cada um que participa”.

A opção é justificada pelo título do álbum – “A Mulher e Outras Guitarras”-, com o objetivo de “criar um colorido diferente, já que cada um tem a sua personalidade, a sua alma, a sua forma de entrega e de respostas ao fadista”, disse Ana Sofia Varela que se afirmou “muito satisfeita” pelas escolhas feitas.

No álbum participam António Chainho, José Manuel Neto, Ricardo Rocha, Luís Guerreiro, Ângelo Freire, Bruno Chaveiro, Paulo Parreira, Bernardo Romão, Pedro de Castro, António Martins, Acácio Barbosa e Mike11, na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença, Pedro Jóia, Diogo Clemente, Rogério Ferreira, André Ramos e Diogo Castro, na viola, Francisco Gaspar, Daniel Pinto e Yami, na viola-baixo, e Rodrigo Correia, no contrabaixo.

Neste álbum, Ana Sofia recuperou uma composição que José Fontes Rocha (1926-2011) lhe tinha oferecido, na qual interpreta um poema de Mário Rainho, “Canto de Mágoa Corrente”, que gravou acompanhada apenas à guitarra por Ricardo Rocha, neto de Fontes Rocha, e que fez os arranjos musicais.

Este novo álbum sucede a “Fados de Amor e Pecado” (2009), composto exclusivamente pela dupla João Monge e João Gil, e que foi distinguido com o Prémio Amália, em 2010.

O novo álbum abre com “Estranha Dança” (J.Monge/J.Gil) que já tinha cantado em 2010 e que agora recuperou, uma letra onde se afirma: “Tive o nome de pecado/ e a fama de virtude”. Um tema com o qual a fadista se identifica muito, disse à Lusa.

Outro tema com o qual também se identifica, e que “homenageia a guitarra portuguesa”, é “Esticar a Corda” (Maria do Rosário Pedreira/Mário Pacheco), que gravou acompanhada por José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Daniel Pinto (viola-baixo).

De acordo com Ana Sofia Varela, este álbum é construído de “várias coisas que tinha guardadas”, como as músicas para “Barcarola” e “Estranha Dança”, e de outras procuradas nos livros de poesia, acabando por espelhar a sua “personalidade e a dos músicos”.

Questionada pela demora em ter voltado a gravar, Ana Sofia Varela reconheceu que tinha vontade de o ter feito há mais tempo, “mas por uma circunstância ou outra não foi possível”. “É o seu percurso”, disse.

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