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Um ano de 2016 longe das expetativas

Chegados ao fim do ano de 2016 é tempo de, mais uma vez, fazer a avaliação da situação do país e daquilo que se espera para 2017 no plano nacional e no plano das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro.

Desde as eleições de outubro de 2015, Portugal vive uma situação política sustentada numa aliança parlamentar que responde apenas a uma agenda ideológica e, sobretudo, procura ao quotidiano sobreviver politicamente.

Este tempo novo de governação, como alguns se lhe referem, começa a apresentar um conjunto de resultados que não permitem ter confiança ao nível das expetativas económicas e sociais para os próximos anos.

Com efeito, Portugal está a crescer muito menos do que o previsto, a sua divida pública atinge o nível mais elevado de sempre, cresce cerca de 51 milhões de euros por dia, as exportações têm tido um desempenho muito inferior aos dos últimos anos e a taxa de poupança atinge, em 2016, valores negativos, o que acontece pela primeira vez em 17 anos.

Ao mesmo tempo, o investimento teve uma queda na ordem dos 12% nos primeiros seis meses deste ano e as taxas de juro atingem valores cada vez mais elevados num momento em que o Banco Central Europeu está a reconsiderar a sua posição no que diz respeito à compra de divida aos Estado-membros. É uma situação realmente preocupante.

É este o Portugal de hoje que, ao ver revertido um conjunto de reformas assumidas anteriormente, começa de novo a percorrer um caminho muito semelhante àquele que, infelizmente, o país conheceu com os governos socialistas de José Sócrates. Num momento em que era fundamental continuar o processo de recuperação económica do país optou-se, antes, por responder a lógicas de sobrevivência política e de calendário eleitoral sem ter em conta os verdadeiros interesses de Portugal e dos portugueses.

Assim, não surpreende que o nosso país tenha perdido oito lugares no ranking da competitividade e que a sua credibilidade externa tenha vindo a decair. Portugal volta a ser considerado, infelizmente, como tendo uma das economias mais frágeis e vulneráveis do espaço europeu.

Apesar de tudo isto, Portugal tem beneficiado do contributo dos seus cidadãos residentes no estrangeiro. É verdade que o investimento diminuiu, é também verdade que as remessas dos emigrantes baixaram, mas também continua a ser verdade que, apesar de tudo, continuam a ser essenciais para a economia nacional.

Por outro lado, 2016 foi também um ano que defraudou as expetativas no que se refere às políticas dirigidas às comunidades portuguesas pois os temas que mais se destacaram em período de campanha eleitoral aguardam ainda resolução, ou até, uma mínima atenção por parte deste Governo das esquerdas.

Com efeito, seja a questão da propina no ensino da língua portuguesa no estrangeiro, seja a questão dos lesados do BES, seja a questão dos recursos das estruturas consulares cujo reforço previsto para 2016 nem sequer cobre o número de aposentações, sejam, ainda as posições assumidas, em campanha, sobre a alteração das leis eleitorais, nada foi ainda resolvido de acordo com a urgência que tinha quando o PS era oposição.

Permito-me ainda, pela importância de que se revestem, referir a total ausência de políticas na área social, apesar das dificuldades que algumas comunidades conhecem, sendo de salientar que até as habituais iniciativas com agentes e instituições desta área não foram concretizadas no corrente ano.

Ao mesmo tempo, se considerarmos o orçamento previsto para o funcionamento da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, com uma evidente redução das verbas orçamentadas, é fácil perceber que será muito complicada a ação do Governo nesta área.

O ano de 2017 será um ano particularmente importante para as nossas comunidades que residem em França, na Alemanha e no Luxemburgo. Com efeito, estes três países, onde vivem fortes comunidades portuguesas, vão ter atos eleitorais da maior importância com consequências diretas para o seu futuro e para o da Europa. Por isso, aproveito, uma vez mais, para deixar um apelo claro, aos portugueses que residem nesses países, para participarem nos debates e nas discussões que agora se iniciam. Interessante é verificar que durante 2016 o atual Governo não tomou nenhuma iniciativa de apelo à participação cívica e política das nossas comunidades, nem organizou qualquer evento com os luso-eleitos que no Mundo têm afirmado o nome de Portugal.

Foi, na minha opinião, mais uma oportunidade perdida e a demonstração da falta de sensibilidade para com um setor que, apesar de ser essencial para o país, não entra nas prioridades ideológicas e eleitorais da atual governação.

A TODOS UM BOM NATAL!

Para terminar não quero deixar de desejar a todos os leitores e às suas famílias os mais sinceros e genuínos votos de um Santo Natal e um Feliz Ano Novo. O Natal celebra a família e, por isso, é o momento festivo de maior significado para as gentes da emigração. Os nossos emigrantes sabem que foi a família o grande suporte para ultrapassar os momentos mais difíceis e foi para ela e por ela que muitos se submeteram aos maiores sacrifícios. Vamos pois festejar o Natal e desejar que 2017 seja um ano bom para os Portugueses e para Portugal.

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