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Trinta e seis anos após a morte de Ary dos Santos

José Carlos Ary dos Santos, nasceu em Lisboa, 7 de dezembro de 1937, tinha feito sómente 83 anos, se não tivesse morrido em 18 de janeiro de 1984. Nessa altura tinha apenas 47 anos de idade.

Oriundo da alta burguesia, aos 14 anos sua família publicou-lhe o seu primeiro livro de poemas. Em 1954 com 16 anos sai de casa de seus pais e, segundo ele contava, fez de tudo um pouco para sobreviver à sua custa. Foi por essa altura que viu os seus poemas seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett. Paralelamente, o poeta não parava de escrever, e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com o livro de poemas  “A Liturgia do Sangue”.

Em 1969, inicia-se na actividade política ao filiar-se no Partido Comunista Português, participando então de forma muito activa nas sessões de poesia do então intitulado “Canto Livre Perseguido”.

Entretanto concorre ao Festival da Canção da RTP com o poema “Desfolhada” interpretada por Simone de Oliveira, em 1972 ganha também o festival com “Menina”, interpretada por Tonicha e em 1973, com “Tourada”, interpretado por Fernando Tordo. Já em 1968 tinha tido um grande éxito com o poema “Meu Amor, Meu Amor” com música de Alain Oulman e interpretação da grande diva do fado, Amália Rodrigues. Ary dos Santos tornou-se muito conhecido do grande público.

Escreveu mais de seiscentas canções, sendo a maioria cantada por as maiores vozes portuguesas, a saber: Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Tonicha, Amália Rodrigues, Paulo de Carvalho, José Afonso, etc. Ary dos Santos gravou textos e poemas com outros autores e intérpretes. Tenho o prazer de guardar todos os livros e discos dele, com dedicatórias. Tive o prazer de o conhecer já na década do ano de 1960, pois nessa altura eu trabalhava em Lisboa. Ele morava na Rua da Saudade, onde praticamente viveu quase toda a sua vida, era tambem na mesma casa onde ele vivia, que moravam também na altura o Fernando Tordo e o Alexandre O’Neil já há muito também falecido.

Era ali em sua casa na Rua da Saudade que passaram então os maiores poetas e artistas da época. Ele queria sempre a casa cheia, quando não tinha mais dinheiro, continuava sempre a trabalhar para continuar a levar a vida que ele achava que seria a melhor para ele e o seu ego!

Ary dos Santos foi um dos mais talentosos Poetas da sua geração, conhecido pela sua linguagem irreverente e ágil, ganhava e comprava com facilidade amigos, sendo que a maioria desses supostos amigos, o abandonaram quase todos, na altura em que ele ficou gravemente doente!

E ele tinha razão, porque pouco tempo depois, a 18 de janeiro de 1984 acabou por falecer. Uma semana antes de morrer fez um testamento de seu espólio literário, que ficou a pertencer ao seu Partido, e assim foi, hoje o Partido Comunista Portugues, desta feita o PCP, ao longo destes  trinta e seis anos após a sua morte, já publicou sua Obra Poética diversas vezes!

Postumamente, o seu nome foi dado a um largo do Bairro da Alfama, descerrando-se um lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida. No dia 18 e 20 do de janeiro de 2004 , a RTP transmitiu dois documentários alusivos  à sua vida e obra.

Rua da Saudade, ou Saudade de um dos maiores Poetas Portugueses. As duas coisas são reais, por isso da próxima vez, quando ouvir na rádio ou na televisão as canções ao início mencionadas, então se não sabia nada sobre o autor, hoje ao ler este artigo ficou melhor informado!

Em Agosto de 2003, Alberto Bemfeita, que fora grande amigo do Ary, publicou uma obra com o título “O Homem, o Poeta, o Publicitário”.

Esta obra de 143 páginas que eu tenho o privilégio de possuir na minha biblioteca, está junto a todas as outras obras que ele publicou. Este livro conta a historia de sua vida, de seus pais e avós.  Contém fotos cedidas da família desde quando ele nasceu, até ao seu funeral.