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“Snu” no festival de cinema europeu na Venezuela

O filme “Snu”, de Patrícia Sequeira, inspirado na história de amor que ligou Snu Abecassis e Francisco de Sá Carneiro, foi o escolhido para representar Portugal no Festival de Cinema Europeu, iniciativa da Delegação da União Europeia na Venezuela.

A 16.ª edição do festival Euroscópio 2020, hoje anunciada, reúne obras de 15 países europeus, prolongar-se-á durante 30 dias e, pela primeira vez, terá lugar pela Internet, por causa da pandemia de covid-19.

Na apresentação do certame, a embaixadora da União Europeia na Venezuela, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, sublinhou a diversidade cultural das obras selecionadas, que dificilmente seriam exibidas nos cinemas venezuelanos.

O filme sueco “And then we danced” (“E então dançámos”), de Levan Akin, que esteve na Quinzena de Realizadores do festival de Cannes em 2019, “Mellow Mud”, da Letónia, dirigido por Renars Vimba, que conquistou o Urso de Cristal do Festival de Berlim, em 2016, e “A Minha Vida de Courgete”, de Claude Barras, uma produção suíça que foi nomeada para os Óscares e conquistou os principais prémios do cinema de animação, do festival de Annecy aos prémios César do cinema francês, nos anos de 2017 e 2018, estão entre os filmes selecionados para a mostra de cinema europeu, na Venezuela.

“Este ano fizemos um esforço para incluir novidade e tornar mais atrativo o Festival, cuja programação está pensada para todos os públicos”, explicou a embaixadora durante a conferência de imprensa que decorreu ‘online’.

Segundo a diplomata a quarentena preventiva da covid-19 obrigou as instituições culturais locais “a adaptarem-se para oferecer ao público o melhor em programação e, de alguma maneira, através da Internet, estamos a conseguir ampliar a difusão da cultura em todo o país”.

“As fronteiras que antes existiam na programação, que se concentrava principalmente em Caracas, estão a ser demolidas e o público do interior da Venezuela agora também pode desfrutar desta agenda ‘online’, na medida em que a ligação o permita”, disse.

O festival, que pode ser acompanhado através da página euroscopio.com, conta ainda com a participação da produções da França, Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Itália, Eslováquia, Finlândia, Alemanha, Países Baixos, Polónia e Hungria.

“Comédia, animação, drama e documentário, são os géneros deste festival que aborda aspetos de temática social, inclusão, amizade, assuntos familiares ou histórias de superação, através de títulos reconhecidos em diferentes festivais”, explicou a embaixadora.

“Snu” é um filme de ficção inspirado em factos reais, que se centra num período da vida de Snu Abecassis, fundadora da editora Publicações Dom Quixote, que desafiou uma sociedade portuguesa, ao assumir uma união de facto com o advogado casado Francisco Sá Carneiro, futuro primeiro-ministro, que viria a fundar o PPD/PSD.

Protagonizado por Inês Castel-Branco e Pedro Almendra, foi escrito por Cláudia Clemente, com consultoria histórica de Helena Matos, e baseia-se nas biografias sobre Snu Abecassis e Sá Carneiro e em documentação da época.

O filme começa e termina com referência ao dia do acidente fatal, mas a narrativa desenvolve-se sobretudo em torno da figura de Snu Abecassis, no seu trabalho na Dom Quixote, no pensamento interventivo, na oposição ao regime ditatorial e na união que causou polémica.

Além da reconstituição da época, acentuada pela caracterização dos atores, escolha de espaços, guarda-roupa, no filme são incluídas imagens de arquivo nas quais surge o casal e há uma reconstituição histórica de vários momentos verídicos, nomeadamente a visita oficial do então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter a Portugal, em 1980, a Revolução de Abril de 1974 e a noite em que a Aliança Democrática, liderada por Sá Carneiro, venceu as eleições legislativas.

O professor Rainer Sousa, coordenador do ensino local da Língua Portuguesa, na apresentação do festival, sublinhou história de amor que enfrentou os convencionalismos da época.

A ‘longa’ espanhola “Buñuel no Labirinto das Tartarugas”, de Salvador Simó, também premiada em Annecy e em Lisboa, no Festival Monstra deste ano, “The Line”, do realizador eslovaco Peter Bebjak, prémio de melhor realização do festival Karlovy Vary, na República Checa, em 2017, e “Aurora Borealis”, da realizadora húngara Márta Mészáros, prémio do público do Festival Internacional de Chicago, em 2017, são outras produções selecionadas.

“O Rei dos Belgas”, produção belga de 1016, dirigida por Peter Brosens e Jessica Woodworth, prémio de melhor filme do Festival de Avanca, “Lady Time”, documental finlandês de Elina Talvensaari, que aborda o abandono nas grandes cidades, premiado em Tessalónica, “Telaviv on Fire”, coprodução israelo-franco-belga-luxemburguesa, com realização de Sameh Zoabi, premiado na seção Horizontes, de Veneza, “Comme des Garçons”, do francês Julien Hallard, e “Jacob e Mimi”, coprodução polaco-letã de animação, de Edmunds Jansons, juntam-se à mostra de cinema europeu na Venezuela.

“A esperança como um vício”, do italiano Edoardo De Angelis, filme premiado no festival de Tóquio de 2018, “Too far away”, da alemã Sarah Winkenstette, “Breaking the Limits”, do polaco Lukasz Palkowski, completam a lista de longas-metragens do Euroscópio 2020.

Entre os títulos deste ano estão os oito episódios da série holandesa “Fenix”, dirigida por Shariff Korver, e oito curtas-metragens de temática ambiental, entre as quais “Tuã ingugu”, da brasileira Daniela Thomas, sobre povos indígenas.

Estão ainda previstos quatro ‘cineforuns’, ‘masterclasses’ e uma formação para alunos de cinema, organizada pela Escola Nacional de Cinema da Venezuela.

O festival pode ser acompanhado através da página euroscopio.com e da plataforma Festival Scope.

#portugalpositivo