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Semíticos ou somíticos

Israel tem uma longa história de violação das deliberações das Nações Unidas no que toca a confiscação territorial ao povo palestiniano. Ainda assim, não deixa de ser marcante a forma como anunciou oficialmente no conselho de segurança da ONU que iria anexar cerca de um terço da Cisjordânia.

Esta declaração chocante e ostensiva deve ser lida à luz do contexto político interno e externo de Israel. Netanyahu está neste momento pressionado pelas acusações de corrupção que enfrenta em tribunal, bem como por uma coligação instável. A expansão territorial parece ser simultaneamente um trunfo para conquistar o eleitorado de extrema direita e uma forma de desviar as atenções.

Com Trump em queda nas sondagens esta pode ser a derradeira oportunidade de Israel levar a cabo um plano de anexação com o aval dos EUA. Uma forma de comprar o silêncio dos países árabes, tendencialmente aliados dos EUA por oposição ao eixo Turquia-Rússia-Irão, num novo equilíbrio de forças que se desenha no Médio Oriente.

O plano de anexação gizado por Trump e Netanyahu prevê que seis milhões de refugiados palestinos percam esse estatuto, tornando-se meros peões de um sádico jogo de poder geopolítico no Médio Oriente.

Esta confiscação territorial está longe de ser unânime dentro da própria sociedade israelita. Tel Aviv foi palco de grandes manifestações contra a anexação. Esta oposição interna contrasta com a tímida repercussão que o tema encontrou na opinião pública ocidental.

Uma possível explicação para tal é o espectro do antissemitismo, arma de arremesso costumeira da política externa israelita. Curiosamente o semítico é uma língua ancestral da qual derivaram muitos dos idiomas do Médio Oriente, entre as quais o hebraico, mas também o… árabe. Um nó górdio da história que une os povos palestiniano e israelita.

 

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