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Sanches Ruivo absolvido em caso de abuso de confiança

© Luís Vieira Cruz / BOM DIA

O luso-francês Hermano Sanches Ruivo, antigo adjunto da Câmara de Paris com a pasta dos Assuntos Europeus e fundador da associação Cap Magellan, foi absolvido esta quinta-feira pelo Tribunal de Recurso de Paris do crime de abuso de confiança.

Em agosto de 2025, o Tribunal de Paris tinha condenado o antigo autarca, em primeira instância, a seis meses de pena suspensa, três anos de inelegibilidade e ao pagamento de uma multa de 5.000 euros, apesar de o Ministério Público ter pedido três meses de pena suspensa. A decisão foi alvo de recurso, agora aceite, por parte da defesa.

Hélène Lecat, advogada de Sanches Ruivo, congratulou-se com a decisão tomada pelo Tribunal de Recurso esta quinta-feira, classificando o desfecho como uma “quase vitória”, segundo o jornal Le Parisien.

Em declarações exclusivas ao BOM DIA esta sexta-feira, Sanches Ruivo confirmou ter sido ilibado “de todas as acusações”.

O antigo vereador explicou que terá apenas de pagar “uma multa relativa a serviços administrativos” e cumprir um período de interdição de cargos públicos em França. Esta inelegibilidade decorre de imperativos legais automáticos que Sanches Ruivo acredita que possam vir a ser alterados a curto prazo.

“A lei é pesada, mas está a mudar. Tenho a certeza que, dentro de um ano, os critérios que me foram aplicados já não serão os mesmos. Havendo uma multa, existe automaticamente inelegibilidade em território francês. Não era essa a minha vontade, mas pretendo focar-me em projetos pessoais ligados à Europa e às relações entre França e Portugal”, afirmou.

Hermano Sanches Ruivo declarou sair do processo “de cabeça erguida e sem qualquer condenação a pena de prisão”. Lamentou, contudo, que o caso tenha tido “origem na comunidade portuguesa” e criticou o julgamento público de que foi alvo antes da decisão judicial.

O desfecho deste processo encerra também um ciclo de 18 anos na Câmara de Paris, onde Sanches Ruivo foi o primeiro eleito de origem portuguesa. O antigo autarca prepara agora o regresso à sociedade civil, onde identifica os seus próximos desafios profissionais.

Recorde-se que o processo judicial teve início em 2021, na sequência de uma denúncia anónima por alegado branqueamento de capitais e tráfico de influências. A acusação sustentava que Sanches Ruivo teria beneficiado a Cap Magellan, associação que ajudou a fundar em 1991 e na qual colabora como consultor “sob projetos específicos”, tal como garante fazer “para outras entidades”.

Em agosto de 2025, a defesa do português já sublinhara à agência Lusa que o Ministério Público havia abandonado as acusações de abuso de confiança e afastado qualquer intencionalidade na infração de tomada ilícita de interesses.

A associação Cap Magellan também defendeu publicamente o seu fundador ao longo do processo, rejeitando qualquer irregularidade.

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