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Reserva Natural do Estuário do Tejo celebra 40 anos

O estuário do Tejo é uma das maiores zonas húmidas da Europa e o maior santuário de vida selvagem do país. Por desempenhar um papel de grande relevo nacional e internacional na conservação de aves aquáticas, que aqui encontram condições óptimas para invernada, nidificação ou como suporte às rotas migratórias, resolvi dar-lhe o devido destaque aqui no blog.

A Reserva Natural do Estuário do Tejo inclui uma extensa superfície de águas estuarinas, campos de vasas recortados por esteiros, mouchões, sapais, salinas e terrenos aluvionares agrícolas (lezírias). Insere-se na zona mais a montante do estuário, distribuindo-se pelos concelhos de Alcochete, Benavente e Vila Franca de Xira e não excedendo os 11 m de altitude e a profundidade de 10 m.

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Nas suas margens desenvolve-se o sapal, cuja comunidade florística vive sob a influência das águas trazidas pela maré. Região de grande produtividade a nível de poliquetas, moluscos e crustáceos, constitui um autêntico “jardim de infância” para várias espécies de peixes, como é o caso do linguado Solea solea e do robalo Dicentrarchus labrax. De entre as espécies sedentárias, tipicamente estuarinas, salienta-se o caboz-da-areia Pomatoschistus minutus e o camarão-mouro Crangon crangon. Para peixes migradores, como a lampreia-marinha Petromyzon marinus, a savelha Allosa falax e a enguia Anguilla anguilla, esta zona do rio Tejo é local de transição entre o meio marinho e o fluvial.

Com tudo, é a avifauna aquática que atribui ao estuário do Tejo o estatuto da mais importante zona húmida do país e uma das mais importantes da Europa. Para que tenham uma ideia, os efectivos de espécies invernantes chegam a atingir cerca de 120.000 indivíduos. As contagens, regularmente efetuadas, indicam que invernam nesta Área Protegida mais de 10.000 anatídeos (vulgarmente chamados de “patos”) e 50.000 limícolas (ou seja, aves que se alimentam nos sedimentos), das quais se destaca o alfaiate Recurvirostra avosetta, com um número que pode ascender a 25% da população invernante na Europa e que é o símbolo da Reserva. Porém, muitas outras espécies conferem igualmente a riqueza biológica e o valor para a conservação da natureza desta região, nomeadamente o flamingo Phoenicopterus roseus, o ganso-bravo Anser anser, o pilrito-de-peito-preto ou comum Calidris alpina e o milherango Limosa limosa. A RNET (Reserva Natural do Estuário do Tejo), para além de acolher estas concentrações internacionalmente importantes, pensa-se que suporta ainda 40 a 50% da população reprodutora nacional da Águia-sapeira (Circus aeruginosus). É obra!

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Por isso, está de parabéns! Com os seus 40 anos, é também uma das zonas protegidas com maior longevidade. E a melhor altura para a observação das aves decorre de meados de Novembro a finais de Março. Portanto, estamos na época ideal. Uma vez aqui, pode observar-se uma grande variedade de espécies, tais como alfaiates, flamingos, patos, garças, maçaricos, pilritos, gansos, etc. Mais informações em www.evoa.pt