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O número de trabalhadores inscritos na Organização Internacional do Trabalho ronda os 3.300 milhões e não parou de crescer nas últimas décadas, tendo incrementado 400 milhões desde 2007.

Por enquanto as sucessivas ondas tecnológicas não geraram destruição de emprego. Contudo, nunca a tecnologia demonstrou uma capacidade como a atual de substituir as pessoas para produzir, organizar e inclusive decidir nos campos em que a participação humana é crítica, como fabricar uma peça ou conduzir um camião, escrever um livro ou tratar de um doente.

A Globalização e a Digitalização foram os dois grandes motores de mudança no mercado de emprego entre os séculos XX e XXI. Mas na realidade, a situação mais alarmante destacada pelos especialistas é a de que há apenas 1.5 anos, quando se registou o grande impacto da crise de covid, 38% da população ativa mundial estava empregada nos setores do comércio, hotelaria ou em atividades de manufatura, cuja atividade estancou.     

A relevância do impacto da pandemia sobre o mundo laboral vai muito para além do shock imediato. Há a convicção de que a reação dos governos, empresas e trabalhadores para defrontar a crise, que acelerou em vários anos algumas tendências do mercado de trabalho. A maior parte destas tendências têm as alterações climáticas e a tecnologia como elementos comuns, e situam-se no que se denomina por 4ª revolução industrial.

Teletrabalho, plataformas de disrupção, inteligência artificial, biotecnologia, impressão 3D, algoritmos, robots, serviços remotos, … começam a ganhar grande relevância.

Paradoxalmente, o recurso intensivo às novas ferramentas de trabalho, que foram tidas até 2020 como uma das maiores ameaças sobre milhões de empregos, foram críticas para salvar muitíssimos mais.

Se a tecnologia permitiu demonstrar que as conexões digitais podem ser tão eficientes à hora de resolver os problemas do dia-a-dia, que sentido têm os gastos de tempo e mobilidade para as pessoas se encontrarem pessoalmente? Não é que as aplicações de reuniões virtuais que desintermedeiam as de transporte de pessoas expliquem tudo, mas nos últimos meses as companhias aéreas despediram cerca de 100.000 pessoas em todo o mundo.

Nos próximos tempos muitas profissões irão desaparecer, outras irão ser criadas e todas sofrerão mudanças, em consequência da 4ª revolução industrial em curso.

As pessoas estão preocupadas porque há empregos que estão a desaparecer, como sucede com o comércio de proximidade, outros se transformam porque são empregos sem procura, enquanto a clara maioria irá sofrer alterações. E aprecem novas profissões como empregos em plataformas online, cuja atividade se multiplicou por 5 nos últimos 10 anos.

Hoje uma pessoa com maior ou menor experiência em cibersegurança tem praticamente garantida a sua ocupação com um salário elevado.

Desde 1980 que há uma diminuição nalguns segmentos do mercado laboral, não nos trabalhadores menos qualificados, mas naqueles que se situam nos patamares intermédios, ocupando funções de rutina.

Há profissões com alta qualificação como Técnicos ou Dirigentes que escapam. No outro extremo, tarefas sem esse nível de qualificação que não se veem afetadas porque têm que ser levadas a cabo por humanos, por exemplo, relativas ao cuidado de pessoas.

A disrupção centra-se no nível médio. Não são só os operários que são substituídos, mas também os administrativos, gestores comerciais, empregados da banca que as entidades já não consideram necessários uma vez que os seus clientes já fazem a maioria das suas operações através de aplicações moveis.

Entre 1995 e 2015 o emprego nos países da OCDE aumentou de maneira mais notável entre os trabalhadores mais qualificados e, em menor escala, nos de baixa qualificação. As atividades que requerem um nível medio de formação reduziram-se bastante.

Para escapar ao algoritmo há que evitar fazer tarefas de rutina. A aquisição periódica de novas competências é cada vez mais critica nos dias de hoje para se manter a empregabilidade.

Mais de 90% das empresas manifestam que não encontram candidatos em nº suficiente com bons conhecimentos de Big Data, Inteligência Artificial e Marketing Digital. A lacuna de conhecimentos tecnológicos que detêm as empresas é elevada e irá piorar se não se tomam iniciativas, segundo um estudo sobre as competências profissionais do futuro.

Em 2022 as empresas espanholas irão investir maioritariamente em Big Data, Internet das Coisas, soluções aplicacionais e web, machine learningcloud computing, comércio digital, realidade aumentada e virtual, eletrónica portátil, blockchain, impressão 3D … e faltam-lhes talento para executar todos esses novos projetos. Espanha, um país que está no topo da taxa de desemprego jovem, está sendo incapaz de preparar as novas gerações para os empregos do futuro.

Há quantos anos ouvimos que a Formação Profissional Dual é a salvação profissional dos jovens? Existem grandes deficiências nas políticas ativas de emprego.

World Economic Forum estima que em 2025, 50% dos trabalhadores irão precisar de reciclar-se: 85 milhões dos atuais empregos irão desaparecer e serão criados 97 milhões de outros.

Presentemente estão-se evidenciando grandes diferenças a nível setorial e por países: empregos relacionados com as tecnologias e a digitalização, consultoria, comunicação, trabalho criativo, ciência e investigação são os mais propensos ao trabalho remoto. Por outro lado, o trabalho presencial seguirá sendo maioritário em empregos fabris, na saúde e assistência social, distribuição, ócio e turismo. 64% dos trabalhadores querem trabalho flexível.

A Holanda, Reino Unido e Luxemburgo lideram o trabalho à distância.

Presentemente, os governantes da maioria dos países desenvolvidos estão preocupados com os problemas do ambiente, das alterações climáticas e com a transição ecológica e digital.

Jorge Fonseca

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