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Rangel defende expansão da rede diplomática portuguesa no Indo-Pacífico

© Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu, sexta-feira, em Matosinhos, que Portugal deve reforçar a presença no Indo-Pacífico e quer representações diplomáticas em novos países da região para reforçar o ativo histórico nacional.

O anúncio foi feito durante a intervenção de Paulo Rangel na conferência “Geopolítica, Defesa e Estratégia: Desafios e Oportunidades para Portugal”, que decorreu na Porto Business School.

“Nós temos de reforçar a nossa presença no Indo-Pacífico”, afirmou o governante, sublinhando o “ativo extraordinário em termos de reputação, em termos de ‘branding’” que Portugal tem naquela zona.

Lembrando a abertura, em fevereiro, da embaixada em Hanói, no Vietname, Paulo Rangel admitiu reabrir “este ano ou no primeiro semestre do próximo ano a embaixada nas Filipinas”, dessa forma “reforçando a rede diplomática num espaço onde Portugal já está em Seul (Coreia do Sul), Tóquio (Japão), Pequim (China), Banguecoque (Tailândia) Singapura, Jacarta (Indonésia) Dili (Timor) e Camberra (Austrália)”.

“Eu ainda teria a vontade, mas não sei se as finanças me permitirão, especialmente num contexto de crise em que estamos a começar, de ir até Kuala Lumpur e à Malásia, porque nós temos um interesse cardeal, cultural, em Malaca, que está, de facto, muito esquecido e que precisa de ser tratado”, referiu.

Paulo Rangel anunciou ainda ter determinado a subida do estatuto do consulado-geral de Goa [índia] para chefia de missão, bem como a abertura de um escritório consular em Katmandu, no Nepal, que surgem depois o governo português ter “criado embaixada em Baku, no Azerbaijão” e subido o “grau de representação diplomática em Astana, no Cazaquistão, para embaixada”.

O esforço em aumentar a presença no Indo-Pacífico decorre de ser uma região que conhece Portugal “melhor do que todo o mundo ocidental” com o qual o governo português “convive todos os dias”, justificou.

“Ora, se existe um mundo emergente já afirmado no Extremo Oriente, no Indo-Pacífico, é evidente que Portugal não pode deixar de estar presente nesta nova polaridade. E, portanto, nós temos mesmo que o fazer”, sublinhou o governante.

Ainda neste contexto, Paulo Rangel lembrou que para Portugal “o multilateralismo é fundamental” e que, por isso, o país tem de “estar em todas as organizações multilaterais, sejam mundiais, sejam regionais”, defendendo que o que faz viver o “multilateralismo são as alianças bilaterais”.

“É fundamental, porque nós hoje estamos num mundo em que temos que ter aliados em todo o lado, com os quais possamos falar, com os quais possamos passar mensagens, com os quais possamos estabelecer, às vezes, alianças improváveis (…) aquilo que caracteriza a diplomacia atual é o multilateralismo bilateralizado”, insistiu.

E concluiu: “para defendermos o multilateralismo, temos de ter alianças bilaterais muito fortes. E temos, de facto, que estabelecer com muitos países essas relações”.

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