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Quem disse que não se faz bom vinho a norte de Paris?

Se para a grande maioria dos habitantes do planeta as alterações climáticas são um problema grave, para os vinicultores britânicos, sobretudo perante a ameaça iminente do Brexit, revelam-se uma possibilidade de melhorar o negócio.

“Com as alterações climáticas, há vencedores e derrotados. Os vinicultores britânicos estão melhor, de uma forma geral”, afirmou à televisão Euronews, Simon Day, vinicultor da “Sixteen Ridges”, a fabricante do “English Nouveau”, o primeiro vinho novo inglês, resultado de uma precoce maturação de vinha acelerada pelo aquecimento global.

Esta produção inédita segue os princípios do afamado “Beaujolais Nouveau”, um vinho novo francês, produzido na região homónima, com selo de Denominação de Origem Controlada, a partir da casta Gamay e que tem à terceira quinta-feira de novembro o tradicional dia de lançamento.

Este ano, o “English Nouveau”, à imagem do francês, vai ter também o lançamento oficial esta quinta-feira, 19 de novembro. Simon Day antecipa os aromas de frutos vermelhos e tropicais que conseguiu encorpar nesta primeira edição.

O método vinícola para produzir este vinho novo utilizado por Simon Bay, um bioquímico de formação dedicado ao vinho desde 2007, é similar ao do “Beaujolais Nouveau”: a maceração de uvas inteiros em dióxido de carbono, mantendo o sumo na uva e aí acelerando a fermentação.

O resultado da maturação precoce e da consequente antecipação das vindimas são 2.500 garrafas, cheias a partir das uvas colhidas no último verão.

Simon Day garante que logo desde a vindima, as uvas deste vinho novo inglês eram maravilhosas, mas se no hemisfério norte o aquecimento está a ser bom para os vinicultores, no sul da Europa, em países como Portugal, Espanha ou Itália, o bioquímico antecipa tempos difíceis para a produção vinícola devido ao aumento dos níveis de açúcar e quebra na qualidade das uvas para o vinho.

Embora as regras da Denominação de Origem Controlada não o permitam, para Simon Day, o melhor vinho tinto de sempre que acaba de produzir depois do verão mais quente da história no hemisfério norte podia muito bem ser batizado como o “British Beaujolais”.