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Prepare-se para racionamento de água no Algarve

O Governo aprovou esta sexta-feira novas medidas de combate à seca, que contemplam redução de consumos em empreendimentos turísticos no Algarve e obras em albufeiras em Trás-os-Montes, anunciaram os ministros do Ambiente e da Agricultura.

Com o país a viver uma situação de “seca hidrológica que é talvez a mais grave deste século”, disse o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, as medidas anunciadas seguem-se a outras 78 já tomadas nas reuniões que se realizam desde 1 de fevereiro da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES).

“Foi feita uma reunião entre a Agência Portuguesa do Ambiente e um conjunto de empreendimentos turísticos do Algarve, onde ficou decidido um racionamento e uma gestão dos limites do consumo de água que podem adotar. Isto quer dizer que há uma limitação da água por parte desse setor”, disse Duarte Cordeiro, citado pelo Jornal de Notícias.

O governante realçou que, para já, o consumo humano não está em risco: “Todas as medidas que estamos a adotar em que vamos restringir o consumo de águaservem para salvaguardar a água de consumo humano. É uma prioridade absoluta”.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) garante que não vai haver racionamento de água.

“Até hoje, nunca se pôs a questão de racionar, termo que, no meu português, significa cortar”, disse Hélder Martins, em declarações à Rádio Renascença.

“Sabemos que os níveis de pluviosidade têm vindo a diminuir, que os níveis de enchimento das barragens têm diminuído, e não só no Algarve, pelo que temos vindo a colaborar nesse sentido. Não só por uma questão de custos, que também é importante”, acrescentou.

Após a reunião, Duarte Cordeiro precisou que as novas medidas, além da redução de consumos em empreendimentos turísticos no Algarve, contemplam, para Trás-os-Montes, uma obra de ligação ao sistema do Alto Rabagão ao Sistema do Arcossó, o prolongamento do Pinhão ao sistema adutor de Vila Chã, e a reativação da captação de Camba para redução do volume captado na albufeira de Sambade.

Duarte Cordeiro disse que das 31 albufeiras para fins múltiplos em situação crítica que estão em vigilância 10 mantiveram o volume armazenado e apenas duas reduziram o armazenamento em mais de 5% desde a ultima reunião, a 21 de junho.

A ministra da Agricultura, Maia do Céu Antunes, disse também que em relação ao mês passado a situação não se alterou nas 44 albufeiras hidroagrícolas: 37 delas asseguram a campanha de rega e sete têm limitações.

Maria do Céu Antunes disse que foi aberto um aviso de 24,5 milhões de euros para que agricultores se possam candidatar para instalarem sistemas de precisão e ter um uso mais eficiente da água.

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