De que está à procura ?

Mundo

Português que revolucionou têxtil em África homenageado em Moçambique

© DR

O município moçambicano do Chimoio homenageia no sábado, a título póstumo, o português Manuel de Magalhães, considerado ‘pai’ da Textáfrica, que foi das maiores têxteis da África austral, pelo contributo para o crescimento da cidade, segundo o autarca local.

Em declarações à Lusa, o presidente do município de Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique, explicou que a cidade contou, na sua história, nomeadamente no período colonial, então Vila Pery, com “vários impulsionadores”, com destaque para o empresário Manuel de Magalhães (1928-2013).

“Em 1950, por aí, quando a cidade ainda era Vila Pery, apareceu uma unidade gerida pelo engenheiro Magalhães, que construiu a Textáfrica e impulsionou também a criação da barragem de Mavuzi. A Textáfrica tinha cerca de 4.000 trabalhadores na altura, então era uma empresa grande que impulsionou o crescimento da cidade de Chimoio”, disse à Lusa o autarca João Ferreira.

A homenagem póstuma, marcada pela cerimónia a decorrer no sábado em frente à infraestrutura que resta da Textáfrica, prevê uma praça com o nome de Manuel de Magalhães, em frente às instalações da antiga algodoeira, numa cerimónia em que se homenageia “o impulsionador de Chimoio”, tendo contribuído com a construção de serviços sociais, humanos e industriais, disse autarca.

“É uma cerimónia simples de inauguração da Praça Textáfrica e um apelo a todos para colaborarmos para que a Textáfrica volte a ser uma empresa de nome e de renome”, disse.

Além da praça, o município está a preparar um mural em homenagem ao empresário português, que inclui uma componente religiosa, com a autarquia a projetar também reabilitar passeios e estradas à volta da Textáfrica para tornar o lugar mais atrativo aos investidores.

A Textáfrica, então constituída como parte da Sociedade Algodoeira de Portugal, foi referência na produção têxtil na África austral, chegando a produzir 30 quilómetros de tecido por dia, mas fechou as portas há mais de duas décadas, deixando uma infraestrutura gigantesca em Chimoio.

“A Textáfrica está fechada, mas nós queremos que reabra e apareça um investidor para fazer alguma coisa”, apelou João Ferreira.

O autarca defende que a infraestrutura deve servir para outras iniciativas empresariais que não sejam da indústria têxtil, argumentando que no local já não há maquinaria para tal: “Vamos à procura sempre de investidores para ajudarem e essa inauguração vai também contribuir para alertar aos empresários para virem investir, porque uma das coisas que queremos fazer é dar emprego às populações”.

Atualmente, as infraestruturas são usadas como parque industrial onde empresas estão a alugar para armazenar produtos, defendendo que a Textáfrica está num lugar privilegiado em Chimoio, em que o empresariado pode usá-la para diversas atividades.

“Estamos a elogiar a figura que contribuiu para o desenvolvimento de Chimoio. A empresa deu emprego a 4.000 trabalhadores, isso quer dizer que deu subsistência a cerca de 20.000 pessoas. Há muitos doutores que são filhos de trabalhadores da Textáfrica e foi graças a esse emprego”, concluiu.

Manuel Albano Rooke de Lima Pereira Dias de Magalhães, nascido na rua das Motas, no Porto, Portugal, especializou-se em engenharia têxtil e viajou para Moçambique aos 28 anos para construir e administrar a Textáfrica na antiga Vila Pery, no que é hoje Chimoio.

Dirigiu a partir da década de 1950 o conselho de administração da unidade fabril, tendo construído à volta da infraestrutura, escolas, hospitais e outros serviços sociais.

Na década de 1970, fundou o Grupo Desportivo e Recreativo do Textáfrica (GDRT) – clube que ainda hoje disputa os principais campeonatos de futebol do país – e foi também presidente do Grémio do Chimoio, uma cooperativa de agricultores que garantia a compra da produção local.

 Com a independência de Moçambique, manteve-se no país, tendo ajudado, a pedido do então Presidente moçambicano, Samora Machel, a construir a Texmoque, em Nampula, e Texmanta, em Cabo Delgado, mas retirou-se do país em 1987, durante a guerra civil.

Em 1996 regressou a Moçambique com um dos seus filhos e adquiriu a Textáfrica, então à venda, mas a empresa fechou poucos anos depois com as políticas da liberalização económica, que não garantiram a sua sustentabilidade.

TÓPICOS

Siga-nos e receba as notícias do BOM DIA