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Português cruza continentes a pé para proteger a natureza

© Claudio Noy

Depois de caminhar mais de 8.300 quilómetros a pé, em cinco continentes e durante 255 dias, Fábio Inácio concluiu, em julho, no Grande Vale do Côa a sua caminhada solidária com a entrega oficial de um donativo de 9600 euros − acima do objectivo de 8600 euros − à organização Rewilding Portugal.

Natural de Torres Vedras, Fábio iniciou esta aventura em outubro de 2024, no Nepal, onde foi diagnosticado com dengue no primeiro dia e teve de permanecer em repouso durante 10 dias. Ainda assim, superou as dificuldades e seguiu a pé desde Catmandu até ao campo-base do Evereste.

A jornada prosseguiu na Nova Zelândia, com a travessia do exigente Te Araroa Trail (cerca de 3.000 km) e da via alpina das Richmond, com mais de 250 km e 9.000 metros de desnível positivo.

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Já nos Estados Unidos (EUA), completou o icónico Appalachian Trail, passando depois pela Patagónia chilena e pelo Atlas marroquino. O percurso terminou em solo português, no Ermo das Águias, coração da área rewilding da Rewilding Portugal. O último troço foi feito na companhia de amigos, familiares e do diretor executivo da organização, Pedro Prata, culminando no Centro Rewilding de Vale de Madeira.

De acordo com o jornal Público, convidado a escolher o que mais o marcou, Fábio conta que a melhor parte foram sempre “os momentos junto de ursos”. O português de 40 anos encontrou sete destes animais nos EUA, nos estados da Geórgia, Pensilvânia, Nova Jersey e Nova Iorque.

A inspiração para esta caminhada nasceu depois de Fábio ter concluído o Pacific Crest Trail, em 2019, com 4.300 km percorridos. Em 2022, ao conhecer o trabalho da Rewilding Portugal, encontrou a motivação para um desafio ainda maior: “No fim de 2022 conheci a Rewilding Portugal e fiquei apaixonado pelo trabalho… tão apaixonado que decidi que era esta a causa mais importante para mim neste momento.”

Durante o percurso, lançou uma campanha de crowdfunding que reuniu mais de 300 contribuições de várias partes do mundo. O montante será aplicado num sistema inovador de fotoarmadilhagem com deteção automática de espécies, que permitirá reforçar a monitorização ecológica no Grande Vale do Côa.

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“Acredito que nós somos parte da natureza e que ela tem inúmeros benefícios em nós, físicos e mentais… Quero muito ver Portugal mais verde e selvagem. E vocês estão a fazer um trabalho muito bom sobre isso”, disse Fábio no momento da entrega do donativo.

Acrescente-se que a Rewilding Portugal promove a renaturalização com o objetivo de restaurar ecossistemas naturais e selvagens, reintroduzir espécies com funções nos ecossistemas e promover a coexistência positiva entre as comunidades e a vida selvagem.

Se tiver interesse em saber mais sobre esta aventura, pode fazê-lo através do InstagramFacebook e YouTube de Fábio Inácio.


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