Pombal inaugura mostra sobre diáspora da Região de Leiria
Uma exposição itinerante sobre os movimentos migratórios dos concelhos da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIM) para as Américas durante três décadas do Estado Novo vai ser inaugurada na terça-feira, em Pombal. A mostra abre às 15h00, no Teatro-Cine de Pombal, com uma conferência sobre o tema, proferida pelo investigador Jorge Arroteia.
“A diáspora transatlântica da Região de Leiria” é promovida pela Rede de Arquivos da Região de Leiria (RARL) e apresenta documentação dos arquivos municipais da CIM. A mostra oferece “uma perspetiva abrangente e plural sobre a emigração na região entre 1947 e 1970”.
De acordo com a RARL, a missão é preservar a memória dos emigrantes e contribuir para a análise da transformação social e cultural da região.
A emigração portuguesa, muito condicionada pelo Estado Novo através da Junta da Emigração – que autorizava ou recusava as saídas do país -, foi impulsionada pela procura de melhores condições de vida.
Nesse período, registaram-se vagas de emigração significativas para França e outros destinos europeus, mas também para as Américas. Os documentos reunidos pela RARL evidenciam histórias individuais e familiares de adaptação e mudança social.

“Este projeto afirma-se, assim, como um contributo relevante para a valorização da história local, em articulação com a história mais ampla da diáspora portuguesa”.
A memória desse êxodo é feita de “histórias individuais e familiares de esperança, adaptação e transformação social”, documentadas no espólio dos serviços da RARL.
Segundo um dos coordenadores da exposição, Luís Miguel Narciso, o levantamento indica que a maior parte dos emigrantes que atravessava o Atlântico viajava sobretudo para Argentina e o Brasil, através de rotas marítimas oriundas do norte da Europa que paravam em Lisboa e na Madeira.
“Eram sobretudo agricultores, carpinteiros, pedreiros, um ou outro empregado de comércio, que estavam à procura de melhorar as suas condições de vida”, explicou o responsável à agência Lusa.
O número total de emigrantes está por apurar, porque prossegue a análise da documentação da Região de Leiria. Mas verifica-se, por exemplo, que “há determinadas zonas do concelho de Leiria de onde saiu muita gente e talvez isso ajude a perceber como pode ter afetado o desenvolvimento daquelas comunidades”.
A exposição configura, assim, “uma oportunidade única de conhecer os registos documentais da emigração portuguesa”, através de requerimentos, ofícios, publicidade de agências de navegação, passaportes, fotografias, cartas de chamada ou certidões.
Impulsionada por uma candidatura da RARL ao programa Iberarquivos 2024 para conservação e salvaguarda da documentação relativa à emigração, a exposição permite “promover esta documentação e abordar o assunto da emigração, que está na ordem do dia”.
A RARL pretende “dar ideias a investigadores, ajudando-os a perceber que os arquivos ainda têm muita documentação por estudar”, acrescentou Luís Miguel Narciso.
Até março de 2027, “A diáspora transatlântica da Região de Leiria” vai passar por concelhos da CIM, chegando também ao Politécnico de Leiria. A Região de Leiria integra Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.