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Partem as mães de madrugada

Partem as mães de madrugada, partem com a neblina fria que flutua no ar

Esse fio de solidão planando no ar

Deixando a casa e o colo desabitado

Levam com elas a ternura e a memória

O caudal das lembranças correndo na represa dos olhos

Os cheiros a alfazema e alecrim

O ondear das vagas no peito

Agitado das noites sombrias e tristes.

 

Partem as mães de madrugada, partem com as dores do parto

Essa dor fina que antecede a luz

O corte do cordão sangrando na pele, na alma

O sangue correndo nos poros

Na dor dilacerante da ausência.

 

Partem as mães de madrugada, e o silêncio é agora

A cor das vestes com que se cobre o corpo.

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.