De que está à procura ?

alemanha
Lisboa
Porto
Berlim, Alemanha
Mundo

Os crocodilos espanhóis e italianos

Há milhões de anos, várias espécies de crocodilos habitaram a Europa. Contudo, era improvável que crocodilos do género Crocodylus – de origem africana – tivessem vivido na bacia do Mediterrâneo. Os vestígios encontrados nas regiões italianas, e agora em Espanha, confirmam a sua presença.

Um novo estudo publicado no Journal of Paleontology em agosto, mostra que esta espécie de crocodilo também esteve presente em Espanha, e não só em Itália. Foram descobertos fósseis de dois crocodilos com cerca de três metros de comprimento em Venta del Moro, em Valência. Estas descobertas ocorreram entre 1995 e 2006.

Na altura, os fósseis foram atribuídos à espécie Crocodylus checchiai. Agora, este novo estudo faz uma análise minuciosa aos restos mortais mais de 14 anos após terem sido encontrados pela primeira vez.

“As nossas comparações indicam que este material claramente não pertence ao género Diplocynodon – um género extinto semelhante aos jacarés de hoje” explicou o paleontólogo Sinc Ángel Hernández Luján, do Instituto Catalão de Paleontologia Miquel Crusafont.

O co-autor do estudo garante que “a morfologia dos restos do crocodilo de Venta del Moro é congruente com o gênero Crocodylus”, que era habitual encontrar em África.

Os vestígios de fósseis encontrados neste local sustentam “inequivocamente” que estes animais não eram apenas presença assídua em África. A descoberta de dois indivíduos da mesma espécie pode indicar a existência de uma população na região.

De acordo com o EurekAlert, parece que durante a sua colonização, estes répteis espalharam-se de forma significativa nas áreas do sul da Europa mediterrânea, sobretudo nas áreas italiana e espanhola onde os fósseis foram encontrados.

“O mais certo é que tenham habitado também nas costas de Múrcia e Andaluzia”, afirmou Hernández Luján. Mas a pergunta que se coloca é: como poderiam estes dinossauros ter viajado da costa africana para a Europa?

A hipótese apresentada pelos especialistas é que estes crocodilos nadaram de um continente até ao outro. Este argumento é justificado pelo comportamento dos crocodilos modernos, que são bons nadadores e podem até chegar a nadar 32 km por hora.

Um exemplo disso é o crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus). “Basta ver a facilidade com que ele se desloca em mar aberto para ser avistado nas águas das Ilhas Salomão ou mesmo na Polinésia Francesa”, diz o paleontólogo.

Mas há mais exemplos que reforçam esta hipótese. Por causa de sua semelhança anatómica com os crocodilos americanos – a espécie extinta Crocodylus checchiai – que teve origem na Líbia e no Quénia, pode muito bem ser seu ancestral.

Se os crocodilos conseguiram cruzar o oceano Atlântico durante o Mioceno, isso pode explicar o surgimento da espécie na América.

Por isso, no caso dos exemplares encontrados em Venta del Moro, nadar do continente africano para o europeu “não deve ter sido um grande esforço para os crocodilos”, conclui o investigador.