Pessoa disse que o poeta é um fingidor.
Pessoa, mas qual pessoa? Eu não.
Meus versos não são consagração à guerra
Nem são dados à ira e ao rancor.
Meus poemas são ecos nesta terra
Que levantam o véu da humanidade em dor.
Meus poemas não fingem ser, eles são
O sangue das palavras concretas e concisas
Que alertam os que fingem que tudo é natural,
Desmascaram a bestialidade, os sodomitas,
Os pedófilos, e a imoralidade à frente dos olhos.
O poeta é um fingidor, disse Pessoa,
Mas qual pessoa? Eu certamente não!
Minhas palavras em prosa ou em verso
Mostram o poder da poesia, e a inacção
Dos poetas que fazem cócegas em vão.
O poeta ou escreve, ou finge
Que escreve. Se finge escrever,
Pessoa afinal tinha razão.
Minhas palavras
São versos e ideias que pari e extirpei
De mim, de ti, e de quem odeia
A passividade diante da covardia
E da violência que se observa a cada dia
Na Mídia, a mera relatadora de desgraças
Mas que nunca explica as causas.
E os por quês de tanto vandalismo e agonia.
O poeta que não finge, escreve poesia concisa,
Na hora, para que venha depois a dar fruto
E semente, que a verdade sempre realiza!
