Novos Românticos lançam disco marcado pelo comentário político e social
Os Novos Românticos editaram o álbum de estreia “Criptopátria”, já disponível nas plataformas digitais, acompanhado pelo lançamento do single e videoclipe “Festival da Canção 2027”, segundo o comunicado de imprensa divulgado pela banda portuense.
De acordo com a informação enviada à comunicação social, “Criptopátria” surge depois dos singles “Mesa Posta”, “Pátria” e “Comunidade Europeia” e apresenta-se como “um retrato fragmentado do presente”, cruzando comentário político, tensão identitária e uma dimensão íntima ao longo do disco.
O comunicado refere que os primeiros temas do projeto estabeleciam “uma leitura progressiva” sobre a democracia portuguesa, a identidade nacional e “uma cartografia emocional da Europa”, enquanto o álbum aprofunda esse território, deslocando “o olhar para um espaço mais difuso, onde o coletivo e o individual se contaminam”.
Ao longo do disco, os Novos Românticos exploram imagens entre “o concreto e o abstrato”, “o quotidiano e o colapso iminente”. Em “Portugal 2020”, lê-se no comunicado, a repetição de símbolos como “bomba atómica”, “paraíso fiscal” e “manifesto sindical” expõe “uma realidade suspensa entre a ameaça e a normalização”, enquanto a pergunta “Como vai o pai, o tio, o sócio gerente?” introduz “uma dimensão quase doméstica no meio do ruído estrutural”.
Já no tema “Criptopátria”, que dá nome ao disco, o projeto aborda “o culto da personalidade, o capital e a lógica viral”, num cenário dominado por “figuras mediáticas e discursos simplificados”, refletindo “um tempo marcado pela saturação informativa e pela erosão do pensamento crítico”.
Segundo o comunicado, “Sangue Latino” e “Sonho Ibérico” deslocam o disco para “um território mais instintivo e emocional”, onde “o desejo, a violência simbólica e a exaustão convivem com uma ideia de pertença em constante tensão”.
“Festival da Canção 2027”, o single que acompanha o lançamento do álbum, é descrito como “um gesto de recusa, quase nihilista, perante a ideia de representação e espetáculo”, funcionando também como “uma crítica à transformação da música em entretenimento televisivo despolitizado”.
No tema “Putos”, acrescenta a nota de imprensa, “esse desencanto condensa-se numa imagem crua e direta, onde a infância e a expectativa de conflito se cruzam”.
O disco é descrito como “um organismo instável”, no qual “diferentes camadas, política, social e emocional, se sobrepõem sem se resolverem”, insistindo “na formulação de perguntas” e propondo “uma escuta que reflete um tempo marcado pela ambiguidade e pelo excesso”.
Num registo pós-punk “marcado pela repetição, pela tensão e pela contenção”, os Novos Românticos afirmam, segundo o comunicado, “uma linguagem própria, onde a palavra assume um papel central”.
Formados no Porto e liderados por David Félix, os Novos Românticos têm desenvolvido um percurso assente no comentário social e político aliado a uma estética pós-punk. Depois dos EP “Novos Românticos” (2023) e “Saudade Internacional” (2024), o projeto edita agora o primeiro longa-duração, procurando espelhar “as vivências tal como elas nos chegam”.