“Não me deixam votar no meu país”. O testemunho de um emigrante com viagem marcada a Portugal
Hélder Mendes está desde 2013 radicado na Suíça mas nunca perdeu a ligação a Portugal, país cujo destino verá em mãos alheias por não lhe ser permitido votar no próximo Presidente da República. O motivo? Estará de viagem à terra que o viu nascer para averiguar se há condições para regressar de vez, precisamente nos dias em que teria que se deslocar ao consulado de Zurique para exercer o seu direito, tal como fez na primeira volta.
No passado fim de semana, Hélder Mendes dirigiu-se ao consulado-geral de Portugal em Zurique, onde está recenseado, para riscar a sua cruz no candidato que considera ser o mais indicado para exercer funções de chefe de Estado durante os próximos cinco anos.
Com a necessidade de uma segunda volta, dado que nenhum dos 11 nomes elegíveis para este sufrágio garantiu a maioria necessária para que o assunto ficasse já arrumado, este português, como tantos outros, estava decidido a voltar a fazer a viagem até uma mesa de voto, mas já sabe, de antemão, que não o poderá fazer.
Hélder Mendes estará no próximo dia 8 de fevereiro em Sever do Vouga, onde já votou noutras eleições – antes da sua ida para a Suíça -, contudo, não poderá responder ao apelo que tem sido feito aos portugueses para que votem, porque para isso teria que estar forçosamente em Zurique, assim dita a lei eleitoral.
“Não me deixam votar no meu país para eleger um líder e não me deixam votar no meu país geograficamente. É irónico eu tentar ir a Portugal, remar contra a maré (má política que por consequência leva à emigração dos portugueses) para tentar regressar, e não poder votar nas hipóteses disponíveis para tentar mudar esse futuro. Sinto-me impotente”, lamenta.
O severense considera que é urgente adotar alternativas de forma a pluralizar o voto na diáspora e a equilibrar a balança para todos os cidadãos com nacionalidade portuguesa.
Entre as suas sugestões está a implementação do “voto online”, método que acredita ser o mais eficaz para reduzir a abstenção.
Questionado sobre o facto de milhares de emigrantes ficarem afastados das urnas por falta de outras opções que não o voto presencial, Hélder Mendes, profissional de cosmética automóvel, considera que “qualquer taxa de abstenção que tenha influência nos resultados, caso fosse transformada em votos, afeta o exercício democrático e vida de todos os cidadãos e do próprio país”.
Sobre a segunda volta na diáspora:
Da primeira para a segunda volta, as “regras” para os eleitores, quer estejam recenseados em território nacional ou fora do país, pouco mudam.
Os emigrantes irão dispor de dois dias para votar (7 e 8 de fevereiro) mas terão que o voltar a fazer presencialmente nos locais onde estão recenseados. Não haverá votação por correspondência, SMS, ou internet, e também não terão a possibilidade de votar antecipadamente.
Para votar, terão que aparecer no dia 7 na respetiva representação diplomática entre as 8 e as 19 horas (horário local) e no dia 8 das 8 horas (locais) até à hora limite do exercício do direito de voto em território nacional (20 horas em Lisboa), sem ultrapassar as 19 horas (locais).
Caso tenha votado na primeira volta, terá, essencialmente, que repetir o processo. Caso não tenha conseguido votar, deverá confirmar o seu local de voto, de forma gratuita, em recenseamento.pt.
Em relação ao boletim de voto, saiba que, desta vez, haverá apenas duas opções e não 14. Serão elas António José Martins Seguro e André Claro Amaral Ventura.
Tal como o BOM DIA noticiou a 8 de janeiro, existe a possibilidade de serem utilizados, na diáspora, boletins da primeira volta. Contudo, é importante esclarecer que, ao contrário do que foi amplamente divulgado noutras plataformas, esta será apenas uma exceção – prevista pela lei eleitoral e confirmada ao nosso jornal, em entrevista difundida em direto, pelo porta-voz da CNE, André Wemans, a 7 de janeiro -, e apenas utilizada em último recurso, caso exista algum problema com a chegada dos novos boletins a algumas representações diplomáticas cá fora.
Se ainda tem dúvidas sobre o voto das comunidades na segunda volta das presidenciais, leia este artigo do BOM DIA.