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Mortífero silêncio

este nó que não desaprende o pescoço
este líquido sem manhã
esta altura que apaga nomes
este metal que interrompe o sangue
e no entanto
há uma janela aberta
uma cotovia insistindo no dia
uma florida cerejeira celebrando-o

porque só me mostras, vida
altos aquedutos?
porque, ultimamente, vida
só me declamas sentenças
e ausências?

e tu, morte
nem ouses
nem ouses manifestar-te
— prefiro não ouvir-te

o teu silêncio entre uma pergunta e outra
vale por mil respostas
— e isso basta-me

pior que o silêncio da morte
é o teu mortífero silêncio, vida
quanto mede
do teu mais alto aqueduto
o arco mais alto?

dm

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