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Mariana Mortágua, a senhora que se segue no Bloco de Esquerda

© Lusa

As comissões de inquérito à banca deram reconhecimento público a Mariana Mortágua, eleita hoje líder do BE uma década após entrar no parlamento, uma economista com 36 anos de “perfil combativo” que assume o “dom de incomodar” pessoas com poder.

“Quero dizer-vos uma certeza que tenho: quando a Mariana [Mortágua] for ministra das Finanças, o Estado não será um porquinho mealheiro para pagar aventuras como do Novo Banco”. 

A frase é do fundador e antigo coordenador do BE, Francisco Louçã, na convenção do partido de há dois anos e revela a confiança que as hostes bloquistas colocavam já na sua agora nova coordenadora, que chegou a ser apelidada de “estrela portuguesa” pela Bloomberg, em 2015, devido à performance na comissão de inquérito do BES.

Mariana Rodrigues Mortágua nasceu na pequena vila alentejana do Alvito em 24 de junho de 1986 e assume o lugar deixado por Catarina Martins nos comandos do BE perto de completar 37 anos. 

“Uma vida boa” para as pessoas foi o mote lançado pela bloquista quando anunciou a sua candidatura em fevereiro, uma expressão que entrou em muitos dos discursos da XIII Convenção Nacional do BE e que foi amplamente explicada pela própria no discurso de consagração.

Apesar de uma Mesa Nacional reforçada, a tarefa de Mariana Mortágua é gigantesca uma vez que herda um grupo parlamentar reduzido depois do pior resultado em 20 anos nas últimas eleições e, consequentemente, um curto financiamento, o que obrigará a nova líder a fazer mais com menos.

No entanto, os principais rostos bloquistas mostram-se, à Lusa, convictos que a nova líder é a pessoa certa neste momento, tendo Catarina Martins assumido que Mariana Mortágua está mais preparada” e “tem mais experiência” do que aquela que tinha quando assumiu a coordenação do BE há uma década e destacado o perfil combativo.

“Creio que é uma personalidade raríssima na política portuguesa. É raríssimo ver uma pessoa tão jovem e com uma história tão densa de capacidade profissional, política e humana. E isso não se encontra nem com uma candeia”, elogiou, por seu turno, Louçã.

Em 24 de abril, no seu programa de comentário na SIC Linhas Vermelhas – no qual será agora substituído por Catarina Martins – a deputada bloquista referiu-se às ações judiciais de que tinha sido alvo dias depois do arquivamento de um deles.

“E eu sei que este tipo de pressão e perseguição política vai continuar e vai até subir de tom e subir de nível, seja porque eu sou mulher, seja porque sou de esquerda, seja porque sou uma mulher lésbica, seja porque sou filha de um resistente antifascista seja porque aparentemente tenho um dom de incomodar algumas pessoas com muito poder e eu sei que infelizmente nos dias que correm para algumas pessoas vale tudo na político, disse então, assumindo a sua homossexualidade de forma pública. 

Com licenciatura, mestrado e doutoramento em economia, Mariana Mortágua conta já com algumas obras publicadas nesta área, duas delas em coautoria com o fundador e ex-líder do BE, Francisco Louçã

Com o número de aderente 6687, a chegada ao partido, onde já estava a irmã gémea Joana Mortágua, remonta a 2009, tendo entrado no parlamento em 2013 pela primeira vez, e a meio de uma legislatura, então em substituição de Ana Drago.

Esta decisão da então Comissão Política – justificada pelos conhecimentos em economia, que eram uma necessidade do grupo parlamentar – foi criticada por um conjunto de militantes uma vez que Mariana Mortágua estava em 14.º na lista e havia outros nomes à frente para ocupar o lugar por Lisboa às eleições de 2011, nas quais tinham sido eleitos três deputados por aquele círculo.

Depois de dois anos em que a oposição à política de austeridade do Governo PSD/CDS e as intervenções na comissão de inquérito ao GES lhe trouxeram destaque público e mediático, a economista passou, em 2015, a cabeça de lista do BE por Lisboa, responsabilidade que assumiu em todas as legislativas seguintes. 

Nessas eleições de 2015, quando o BE alcançou o melhor resultado da sua história ao eleger 19 deputados, Mariana Mortágua teve uma presença ativa na campanha e já recolhia muita simpatia popular, tendo a sua performance política sido apontada então por alguns politólogos como um dos fatores de sucesso dos bloquistas nas urnas.

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