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Mãos à Obra: Jornalistas do BOM DIA e amigos criam plataforma solidária

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Quando a depressão Kristin atingiu várias regiões de Portugal, cinco amigos com percursos marcados pela emigração sentiram que não podiam ficar de braços cruzados. Juntos, decidiram transformar a preocupação à distância numa ação concreta, criando a plataforma solidária Mãos à Obra, que pretende ligar empresas e profissionais da construção civil aos municípios das zonas mais afetadas.

A ideia nasceu de uma conversa entre amigos que, a partir do estrangeiro e também dos Açores, acompanharam os efeitos da tempestade. Rapidamente identificaram um dos principais entraves ao processo de recuperação: a dificuldade em encontrar, em tempo útil, empresas e profissionais da área da construção civil disponíveis para responder às necessidades urgentes de reconstrução e recuperação dos estragos.

Foi dessa constatação que nasceu a plataforma Mãos à Obra, cujo objetivo passa por recolher contactos de empresas e profissionais do setor da construção civil (pedreiros, eletricistas, canalizadores, engenheiros, entre outros) e disponibilizá-los diretamente às Câmaras Municipais das áreas mais atingidas (Leiria, Marinha Grande, Coimbra e Santarém), permitindo uma resposta mais rápida e eficaz no terreno.

“Tendo em conta a escassez de profissionais neste setor em Portugal, agravada pelos efeitos da tempestade Kristin, qualquer contributo é importante. Empresas e profissionais da área da construção civil podem colaborar com as zonas afetadas, disponibilizando os seus materiais e/ou serviços. Esta plataforma nasce para ligá-los aos Municípios que precisam de responder a necessidades de reconstrução urgentes”, lê-se no site do projeto.

MÃOS À OBRA

Num momento em que a recuperação dos danos exige rapidez, organização e solidariedade, a iniciativa procura transformar a disponibilidade em ações concretas ao serviço das populações afetadas.

Como funciona

O processo é simples. Os profissionais e empresas interessados em colaborar inscrevem-se através de um formulário online, onde partilham os seus contactos e área de atuação. As informações recolhidas são posteriormente compiladas e organizadas pela equipa do projeto.

As listas de empresas e profissionais disponíveis são depois entregues às respetivas Câmaras Municipais, que avaliam as necessidades locais e entram diretamente em contacto com os inscritos, sempre que tal se justifique.

A Mãos à Obra não coordena intervenções no terreno nem assume responsabilidade pelas ações tomadas pelas referidas Câmaras Municipais ou pelos profissionais inscritos, funcionando exclusivamente como um ponto de ligação entre quem está disponível para ajudar e as entidades responsáveis pela resposta local.

Da diáspora para o terreno

O projeto junta pessoas com percursos profissionais distintos, mas com um denominador comum: a ligação a Portugal, mesmo quando vivida à distância. Fabiana Bravo, jornalista do BOM DIA, viveu mais de uma década em Berlim e reside atualmente na ilha Terceira (Açores), onde nasceu. Manuel Dutra, formado em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico e ‘frontend developer’, vive também nos Açores, depois de dois anos no estrangeiro.

Álvaro Magalhães, engenheiro de software e colaborador do BOM DIA, e Filipe Mendonça, ‘frontend developer’ luso-brasileiro, residem atualmente em Berlim. André Martins, engenheiro eletrotécnico, vive na Irlanda, depois de ter estudado e trabalhado durante vários anos em Leiria, uma das regiões mais atingidas pela depressão Kristin.

Apesar da distância geográfica, os criadores do projeto partilham a mesma convicção: a tecnologia pode (e deve) servir para aproximar pessoas e acelerar soluções concretas, sobretudo em momentos de emergência.

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