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Luso-francesa julgada por ter escondido uma filha durante dois anos

Começou esta semana o julgamento de um caso que chocou a França em 2013. Uma mãe de origem portuguesa escondeu durante dois anos um bebé de uma gravidez indesejada no porta-bagagens do seu carro.

O pai alega que não sabia da existência da criança, criada em condições extremamente precárias até ser descoberta por empregados de uma garagem, no sudoeste do país.

A franco-portuguesa Rosa Maria da Cruz, de 50 anos, moradora em Brive-la-Gaillarde, começou a ser julgada segunda-feira por violência seguida de mutilação ou sequelas permanentes sobre menor de 15 anos, privação de cuidados ou alimentos comprometendo a saúde de uma criança e dissimulação da existência de uma criança. Por esses crimes, a luso-francesa pode ser condenada a 20 anos de prisão.

O caso data de 2013 e é descrito como “um espetáculo horrendo”, por um dos homens que trabalhavam na oficina de Terrasson, sudoeste da França, onde a menina de dois anos foi descoberta num berço portátil dentro da mala de um Peugeot 307.

Coberta de excrementos, pálida, sem conseguir manter a cabeça em pé e respirando mal, a criança foi encontrada porque a mãe, Rosa Maria da Cruz, parou no local para resolver um problema no carro.

Entrevistados por jornais franceses, os familiares de Rosa-Maria, em Portugal, relataram diversas gravidezes indesejadas. A gestação da terceira criança, nascida em 2009, também foi dissimulada até ao final.

O pai, Domingos, é pedreiro e diz ter longos dias de trabalho, passar pouco tempo com a família e quase não ter acompanhado as várias vezes em que Rosa-Maria esteve grávida. “Ela teve a criança em casa, praticamente de pé, na escadaria”, contou ao jornal Libération um dos vizinhos que diz ter ajudado no terceiro parto de Rosa Maria.

Em 24 de novembro de 2011, a portuguesa de França deu à luz a sua quarta criança, a que chamou Serena. A menina completará 7 anos dentro de dias e já foi adotada por outra família. Devido aos anos que passou em isolamento dentro do carro, Serena sofre de um défice de desenvolvimento físico e mental de 80% e irreversível, segundo os especialistas.