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Luso-americanos da Florida com medo do novo coronavírus

Luso-americanos da Florida, Estados Unidos da América, registam o medo instaurado pelo novo coronavírus, mas expressam esperança no futuro e confiança por terem ultrapassado outros desastres no passado, numa altura em que dizem ter retomado muitos contactos com Portugal.

Carolina Rendeiro, cônsul honorária de Portugal em Miami, disse à Lusa que a população está a “fazer frente” à crise com novas maneiras de trabalhar e considerou que a comunidade luso-americana, “por estar há muitos anos nos Estados Unidos, aprendeu a ter uma resiliência forte”.

O Estado da Florida, no sul dos Estados Unidos da América (EUA), conta mais de quatro mil infetados e meia centena de mortos pelo novo coronavírus, segundo os últimos balanços oficiais.

A cônsul honorária está ativa em prestar auxílio a viajantes portugueses que ficam retidos no aeroporto de Miami, sem reembolsos e sem opção, nomeadamente com facilidade de contactos com responsáveis do aeroporto.

“Tivemos dois estudantes que estavam sem dinheiro e cujo voo tinha sido cancelado. A companhia aérea não ia realizar o voo, mas também não reembolsava os bilhetes pagos. Ajudámos em conseguir falar com os diretores do aeroporto, para facilitar a viagem com outra companhia aérea. Pagaram a viagem de regresso, mas conseguiram sair”, contou Carolina Rendeiro.

Profissional de consultoria em negócios estrangeiros, Carolina Rendeiro espera “uma expansão enorme no setor da bioquímica, biomedicina e ‘startups’ (…), porque todas as nações estão a pedir” soluções e curas para a pandemia do novo coronavírus.

“Eu estou ansiosa para ver, daqui a dois, três ou quatro meses o resultado disto, acho que vai ser oportunidade e não só tristeza”, disse a portuguesa, com a confiança de que a crise, como todas as lutas, tem de inspirar uma “nova maneira de viver e de ser”.

A empresária Gloria Sousa, residente na cidade de Port Saint Lucie, mostrou-se apreensiva, em conversa com a Lusa, pela volatilidade da situação social.

“O que o Governo diz e o que está aqui a acontecer são duas histórias diferentes” comentou, preocupada com a escassez de recursos e a dificuldade de encontrar alimentos frescos nos supermercados.

“Há muitas pessoas em casa que estão doentes, mas não querem sair da porta para fora, porque têm medo”, relatou Gloria Sousa, referindo que os pacientes não são tratados sem marcação ou se não apresentarem sintomas críticos da covid-19.

A empresária decidiu fechar o escritório de “medical billing” (gestão de seguros e despesas de saúde), que dirige em Port Saint Lucie, na sexta-feira, porque tinha uma funcionária com febre, um dos sintomas da covid-19.

Gloria Sousa concluiu que pequenas empresas, de qualquer área de atividade, podem estar ameaçadas de fechar permanentemente, com dificuldades de pagamentos de rendas ou de salários aos empregados devido às medidas de contenção.

“No meu negócio também pode acontecer. Se as minhas portas estiverem fechadas mais de três meses, não vale a pena abrir mais”, adiantou.

Por outro lado, o negócio de venda de casas, que Gloria Sousa realiza, também está parado, por causa das alterações no trabalho dos bancos envolvidos ou advogados.

“Há poucas pessoas a procurarem [casas], porque ninguém sabe o que vai acontecer”, explicou, acrescentando que o setor da construção também está parado.

O consultor financeiro natural da Póvoa de Varzim, residente em Miami, Ilídio Pinheiro comentou que o mundo enfrenta duas pandemias: a do vírus e da bolsa financeira.

“Eu e todos os colegas que estamos na banca de investimento internacional somos ‘bombardeados’, e ainda bem, diariamente, hora a hora [com contactos dos clientes]. Tem sido um arrasar de investimentos, uma calamidade. Passou de pandemia do vírus a pandemia da bolsa”, resumiu, indicando que está em quarentena voluntária, como grande parte dos colegas de profissão.

No entender do especialista, os investidores entendem que seria “erradíssimo” sair da bolsa nesta altura, porque quando a situação estabilizar, todos os preços estarão “irrisoriamente mais altos”.

Ainda assim, os portugueses continuam com a máxima de que “a esperança é a última a morrer”, disse Ilídio Pinheiro, membro do conselho de administração do Conselho Luso-Americano de Liderança (PALCUS).

“Estamos todos com uma esperança enormíssima (…) para que passe como todas as outras crises. Aqui nesta área dos EUA já passámos por bastantes tempestades tropicais”, lembrou Ilídio Pinheiro.