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José Luis Carneiro dialoga com a comunidade na Alemanha

Os portugueses de Estugarda e Dusseldorf, na Alemanha, recebem o secretário de estado das Comunidades, José Luís Carneiro, este fim-de-semana, mas só esperam resultados destes encontros, denominados “Diálogos com as Comunidades”, a “longo prazo”.

O governante esteve há menos de dois meses na Alemanha, para dar conta das alterações às leis eleitorais, aprovadas em julho do ano passado pela Assembleia da República. Os processos de reformas também foram abordados, mas Alfredo Stoffel, um dos conselheiros das comunidades para a Alemanha, acredita que “ainda é cedo para dizer o que mudou com estes diálogos”, acrescentando que “só a longo prazo” se poderão verificar os resultados.

Para o embaixador de Portugal na Alemanha, João Mira Gomes, esta é uma iniciativa que “não se destina a produzir um efeito imediato”, mas que visa, antes, “proporcionar um espaço de intercambio e de diálogo com a comunidade”.

Acrescenta que estes “diálogos” são “muito úteis nos dois sentidos”: “para que o secretário de Estado se possa aperceber dos recados, das mensagens e das preocupações da comunidade e para que a comunidade fique melhor informada sobre o novo quadro do recenseamento eleitoral”.

Já Alfredo Stoffel lembra que o recenseamento automático, reclamado pela comunidade portuguesa, foi “uma luta que demorou anos”, lembrando que para os cidadãos nacionais que vivem neste país “é uma responsabilidade enorme”.

“O fato de estarmos automaticamente recenseados também nos obriga a cumprir com o nosso dever, que é ir votar. Se na Alemanha de 30 mil passamos para 80 mil pessoas recenseadas, agora essas pessoas também têm de ir votar e não dizer, mais tarde, que somos cidadãos de segunda”, sublinha Alfredo Stoffel.

O conselheiro das comunidades para a Alemanha, que esteve nas últimas duas sessões dos “Diálogos com as Comunidades”, que se realizaram em dezembro, vê a iniciativa “como algo positivo”.

“Não pinto uma imagem negra, como algumas pessoas. Penso que a comunidade tem a possibilidade de falar e expor diretamente os seus problemas aos nossos governantes. Se às perguntas não forem dadas respostas imediatas, pelo menos fica a sinalização do problema”, admite.

“Não estou a pensar que Portugal faça uma lei especifica para a Alemanha, mas consigo perceber que, se houver problemas idênticos em diversas regiões da Europa, então pode fazer-se uma lei para atenuar determinados problemas que existam nas comunidades. Se for algo específico num país, é o governo que tem de resolver até que ponto é que um protocolo de cooperação com o governo de acolhimento pode entrar em vigor”, esclarece Alfredo Stoffel.

Na iniciativa deste fim-de-semana vai participar, além do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, a secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto.

Para o conselheiro das comunidades para a Alemanha é importante “sensibilizar os governantes”, porque “eles estão em Portugal e vivem, por assim dizer, numa bolha”.

“A proximidade às pessoas que estão no terreno é importante”, defendeu Stoffel.

As sessões dos “Diálogos com as Comunidades” realizam-se a nove e 10 de fevereiro, nas cidades de Estugarda e Dusseldorf. A primeira decorreu em Bruxelas, a 22 de outubro de 2016.