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It’s the end of the world… as we know it

Clique para ampliar Se no próximo Domingo, e de acordo com o que as sondagens indicam, o SYRIZA vencer as eleições legislativas na Grécia a ideologia democrata-cristã que reina na União Europeia desde a sua criação levará um severo aviso.

Não podemos ser inocentes ao ponto de pensar que que é a grande viragem à esquerda desta nossa Europa Unida, mas é por certo a queda da máscara dos partidos socialistas europeus. Desde a vitória de François Hollande em França que esta descida se vem agudizando. Não se pode no entanto esquecer que num arco que se estende entre a Suíça, passando pela Áustria e Hungria, e chegando ao leste da Eslováquia a extrema-direita conta neste momento com mais de 30% de apoio da população. Os fascismos sempre foram profícuos a subir no seio da crise social: veja-se a Frente Nacional em França.

Mas vamos distanciarmo-nos um pouco: o que distingue, de facto, a esquerda do PASOK, ou de qualquer outro partido Socialista europeu, e de um partido de “esquerda radical”, como é chamado, como o SYRIZA? De forma mais clara e desprendida de pudores: qual é a diferença entre o Socialismo e o Comunismo? Afinal, ambas ideologias afirmam querer construir uma sociedade socialista, o fim da exploração do homem pelo homem, o fim da concentração do capital, etc, etc, etc… Ora, a diferença reside, em primeira mão, no meios que uns e outros afirmam estar dispostos a utilizar para atingir tal fim, mas reside fundamentalmente na postura perante a realidade actual de total clivagem entre ricos e pobres.

Esta clivagem vem os tempos da revolução de Outubro de 1917. Enquanto uns defendiam que toda e qualquer pessoa poderia, em abstrato, tornar-se dirigente político e assim influenciar a sociedade, outros clamavam, e clamam, que só um grupo de pessoas desde tenra idade preparadas para esse fim poderia comandar os destinos comuns. Do lado tínhamos a facção com presença maior (bolche, de onde bolcheviques) e do outro a facção derrotada, a menor (menche, menchevique).

Hoje, perante uma crise que retira poder de compra às famílias, e como tal aos trabalhadores (verdadeiros obreiros da produção de riqueza – ler a este sujeito sobre a produção de riqueza vs. mais-valia), os Socialistas, estes sim merecedores do epíteto de esquerda-caviar, quedam-se mudos não sendo capazes de apresentar outras soluções que não aquelas duma direita com uma visão cada vez mais económica-libertária e cada vez menos democrata e/ou cristã.

O desmantelar das forças socialistas é portanto uma consequência inevitável da crise política, economia e social europeia. Esperemos que não seja uma porta para a extrema-direita se instalar. Essa sim radical e perigosa: fechar de fronteiras (Frente Nacional em França), criminalização da pobreza (Suíça), fim da liberdade de escolha de orientação sexual (Hungria), milícias, justiça popular, encerramento nacionalista, xenofobia, etc, etc, etc… o rol contínua e é bem conhecido de todos: vimos-lhe o resultado há 70 anos, no dia 27 de janeiro, quando o Exército Vermelho libertou os poucos milhares de sobreviventes de Auschwitz-Birkenau.

 

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