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Investigadores portugueses querem salvar burro de miranda

A Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino está desenvolver, em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, uma técnica de inseminação artificial com vista a padronizar o burro de miranda, foi anunciado.

“Temos procurado junto das instituições científicas, como as universidades, padronizar e criar um manual científico, que nos permita dar resposta aos criadores dos burros de miranda, espalhados por todo o país, quando necessitam iniciar o processo reprodução do seu efetivo, mas não possuem um animal reprodutor da raça”, explicou à Lusa o secretário técnico da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), Miguel Nóvoa.

Ao longo dos últimos anos foram iniciados estudos através da Universidade do Porto (UP), e posteriormente com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), através seus hospitais veterinários, no sentido de se conseguir a padronização de sémen congelado para a inseminação das fêmeas desta raça autóctone.

“Focámos o nosso estudo em conseguir descobrir um procedimento para a recolha de sémen para posterirmente ser refrigerado e garantir que, durante três a quatro dias, se possa manter viável para a inseminação artificial. O sémen refrigerado servirá para manter o padrão da raça do burro de miranda, por todo o território nacional”, vincou o também medico veterinário.

Este estudo científico juntou investigadores da AEPGA da UTAD e o Centro de Reprodução Animal de Vairão, (CRAV), contando com apoio da Direção-Geral da Agricultura e Veterinária (DGAV).

“Durante o estudo científico foi feita a aplicação de inseminação artificial em 12 burras de miranda com sémen refrigerado proveniente de seis garanhões do burro de miranda”, indicaram os técnicos envolvidos.

O estudo decorreu nas instalações do Hospital de Veterinária da UTAD, em Vila Real, durante os meses de junho e julho de 2019, tendo como responsáveis Ana Celeste Martins-Bessa e Miguel Quaresma, médicos veterinários deste hospital, tendo também participado 10 estudantes do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária da UTAD.

Neste estudo, “pioneiro em Portugal”, foram obtidas oito gestações, correspondendo a uma “taxa de sucesso de 66% à primeira tentativa”, resultados considerados “muito encorajadores” para a aplicação desta técnica, concretizou Miguel Quaresma, do HVUTAD.

A refrigeração de sémen de asininos e a posterior aplicação em burras de miranda, permitirá que “fêmeas em zonas remotas, longe de burros machos em atividade reprodutiva, possam ser inseminadas e ficar prenhas, ajudando, assim, a preservar a raça do burro de miranda”, salientam os investigadores.

A inseminação artificial de algumas burras em Portugal, com sémen fresco, já tinha sido realizada pela AEPGA, pelos médicos-veterinários Miguel Nóvoa e Belén Leiva, com a colaboração Miguel Quaresma, do HVUTAD, em anos anteriores, “com sucesso”.

Em 2018, com o apoio da DGAV, a equipa do CRAV, coordenada por António Rocha, havia já efetuado estudos preliminares que permitiram identificar o potencial de alguns machos reprodutores para a produção de sémen refrigerado com uma durabilidade superior a 36 horas.

A ação, realizada e enquadrado no Serviço de Reprodução Animal (SERA) do HVUTAD, permitiu também estudar o comportamento e fisiologia reprodutiva desta raça, tendo sido recolhidos “dados úteis para maximizar a eficiência reprodutiva”.

O Burro de Miranda é uma raça que ainda “está em risco de extinção”, já que apenas existem cerca de 700 fêmeas, número inferior ao recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a preservação de uma raça, que é composta por um efetivo de 1.000 animais.