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Intervenção no XXV Congresso do PS

Caro presidente,
Caro secretário-geral,
Caro João Azevedo
Caros Delegados e uma saudação especial para os delegados das comunidades

Em primeiro lugar, quero felicitar o nosso secretário-geral pela vitória muito expressiva, sinal de que o partido está unido e coeso para as batalhas que se avizinham, a começar por sair deste congresso com a ambição de vencer, não apenas para exercer o poder, mas para transformar o país, torná-lo mais democrático, mais fácil e menos burocrático, para resolver os problemas das pessoas. Um país mais rico e com menos pobres, mais humanista e tolerante, mais aberto e justo para todos, portugueses e estrangeiros.

Um país de emigrantes, não pode ser intolerante nem deixar-se arrastar pela xenofobia dos extremistas. Temos o dever moral de tratar todos com a mesma dignidade e respeito, tal como o desejamos para os nossos compatriotas que vivem no estrangeiro.

Camaradas, 

Pela primeira vez desde 1976, o PS ficou sem representantes eleitos pela emigração. Foi por isso que o Secretário-geral honrou o seu compromisso de criar o Departamento de Comunidades Portuguesas, precisamente para preencher esse vazio de representação e para que voltemos a eleger e a ser o partido mais importante na diáspora. Nenhum país que se preze pode ser negligente com os seus cidadãos, nem com os de cá nem com os de fora, ainda para mais tratando-se de uma diáspora tão vasta e influente e com uma capacidade única de projetar Portugal no mundo.

Por isso mesmo, iremos propor alterações estatutárias para que o Departamento passe a constar dos Estatutos do partido, para que possa existir para além das direções partidárias e honrar a nossa história migratória.

Os principais objetivos do departamento são organizar a nossa relação com as estruturas e militantes no estrangeiro e propor uma estratégia sólida coerente e inovadora para as comunidades. Estamos a atualizar os ficheiros de militantes, que já não correspondem há realidade. Se é muito previsível que ficaremos com menos militantes e secções, também estamos a criar novos núcleos, estando praticamente concluída a formação de cerca de uma dezena de novas estruturas, fora da Europa como o Vítor Silva referiu e como está a ser feito na Europa.

Foi também já lançado um Conselho Estratégico para a diáspora, de onde sairão alguns conselhos sectoriais, fundamental para operarmos uma mudança de paradigma na abordagem às políticas para as comunidades.

Foi já também ativado um espaço no site do partido e foram efetuadas várias deslocações, sempre com grande impacto, a Paris, Suíça, Canadá e Venezuela, sempre para contactar as estruturas do partido, as comunidades e entidades oficiais.

Para terminar faço apenas uma breve referência à deslocação do Secretário-geral à Venezuela, que foi politicamente muito bem sucedida e abre importantes vias para o futuro, o que não tem rigorosamente como por aí se disse, a ver com a legitimação do poder, mas apenas com a defesa das comunidades. 

Em primeiro lugar, foi com determinação e frontalidade, que o secretário geral se encontrou com as autoridades para pedir a libertação dos detidos políticos luso-venezuelanos e a restituição de um comércio expropriado em 2017, nos tempos da irracionalidade económica e da repressão. Coincidência ou não, dois dias depois de termos deixado Caracas, a Lei da Amnistia foi prorrogada por mais 30 dias, sendo que um dos nossos interlocutores foi precisamente o presidente da Comissão para a Amnistia.

Por outro lado, as relações entre Portugal e a Venezuela estão no ponto mais baixo, com relações bilaterais mínimas, que tanto prejudicam Portugal como a Venezuela, país que tem cerca de um milhão de luso-venezuelanos, muitos na estrutura do Estado e uma economia que funciona na base do dinamismo dos empresários nossos compatriotas, que são, por exemplo a grande maioria no setor alimentar e que pediram para não serem esquecidos.

Caros camaradas, Portugal não pode ficar para trás. E se há alguém que compreende bem isso é o nosso secretário-geral. Pelo seu percurso exemplar, pelo seu perfil moderado e humanista, mas também pela sua determinação e pragmatismo, estou absolutamente convencido que José Luís Carneiro será o próximo primeiro-ministro de Portugal.

Viva o PS, 

Viva Portugal.

Paulo Pisco

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