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Infelizmente, os números de Portugal não são bons

Infelizmente, os números de Portugal não são bons. Em termos absolutos, menos mal, talvez, mas a progressão está muito mais inquietante do que, inclusive, nos países europeus mais duramente afetados. Não se compreende a insistência em falar de “milagre português” (por exemplo, Grande Entrevista na RTP do jornalista Vítor Gonçalves ao pneumologista Filipe Froes).

Em princípios desta semana, a Espanha (a Espanha da “catastrófica” situação de há pouco tempo) teve 71 novos casos e 0 (zero) óbitos; Portugal teve 200 novos casos e 14 óbitos. E, de então para cá, o número diário de novos casos ultrapassou largamente as três centenas. “Milagre”, quando muito, havê-lo-á na Hungria, na Polónia, na Grécia, na República Checa, na Finlândia, em Israel e, sobretudo, em países como o Japão, Taiwan, a Coreia do Sul ou Hong-Kong, onde os números de casos e de óbitos por milhão de habitantes são insignificantes a comparar com os de Portugal.

Até há dois ou três dias, o Vietname ainda não tinha registado um único óbito. Ontem, a Nova Zelândia chegou às 13 semanas consecutivas sem novas infeções e registava apenas um doente (por sinal, não hospitalizado).

A Grécia incluiu Portugal na lista de países de onde recusa receber visitantes. E a Letónia colocou-nos no grupo “vermelho” de países europeus para os quais desaconselha os seus cidadãos a viajarem (no grupo “verde”, de países europeus para onde a Letónia considera que os seus cidadãos podem viajar, está a França; e, no grupo “amarelo”, para onde podem viajar mas com precauções, estão a Espanha e a Itália; Portugal, repito, está no grupo vermelho: não vão lá, diz o governo letão aos seus cidadãos).

Mas os meios de comunicação social portugueses continuam a propalar o mito do nosso “milagre”. Será que só quando, eventualmente, formos vistos como “o novo epicentro da pandemia na Europa”, se deixará de iludir os portugueses?

 

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