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Imigração pode ajudar a travar despovoamento do interior português, conclui estudo

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A imigração já é uma peça estrutural do mercado de trabalho em Portugal e pode desempenhar um papel decisivo no combate ao despovoamento do interior, mas o seu impacto depende de políticas de fixação que articulem emprego, habitação e integração. A conclusão é de um estudo do Centro de Formação Prepara Portugal, baseado em dados do INE, Segurança Social, Pordata, Confederação dos Agricultores de Portugal e AIMA.

Segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, com base em dados da Segurança Social, cerca de 495 mil trabalhadores estrangeiros representam hoje 13,4% da força de trabalho em Portugal – aproximadamente um em cada sete trabalhadores. “Estes números mostram que a imigração já não é uma tendência, mas uma realidade estrutural do mercado de trabalho português”, sublinha Higor Cerqueira, fundador e diretor pedagógico do Prepara Portugal.

A presença de trabalhadores estrangeiros é ainda mais marcada nos setores com maior escassez de mão de obra. Na agricultura, construção e turismo, os imigrantes já representam mais de 30% dos trabalhadores, ou seja, um em cada três, de acordo com dados compilados pela Pordata. Na agricultura, a dependência é particularmente clara: 83% das empresas consideram os trabalhadores estrangeiros essenciais à sua atividade, segundo a Confederação dos Agricultores de Portugal.

O impacto é especialmente visível em territórios do interior. Em concelhos como Odemira, a população estrangeira ultrapassa os 68% do total de residentes, de acordo com a AIMA, o que significa que mais de dois em cada três habitantes são imigrantes, com um peso direto na dinâmica económica local.

Para Pedro Stob, formador do Prepara Portugal e coordenador do estudo, além de responderem à falta de mão de obra, os imigrantes contribuem para o rejuvenescimento demográfico. “Em média, os imigrantes são nove anos mais jovens do que os trabalhadores portugueses, e isso é fundamental para a sustentabilidade da Segurança Social, representando um saldo positivo superior a 2,9 mil milhões de euros, segundo dados do próprio instituto”, destaca.

O estudo alerta, contudo, que a permanência no interior não está garantida. “Os estrangeiros tendem a ficar apenas onde existem condições reais de vida e integração”, nota Higor Cerqueira. Entre os principais entraves identificados estão o acesso à habitação a custos controlados, programas de ensino de português, mecanismos mais rápidos de reconhecimento de qualificações e apoio à criação de negócios próprios. “A imigração não pode ser vista apenas como resposta à falta de mão de obra. Sem condições de fixação, o interior continuará a perder população”, reforça.

O levantamento defende a criação de programas de recrutamento territorialmente orientados, que articulem fluxos migratórios com necessidades concretas de cada região, ligando diretamente empregadores – como cooperativas agrícolas, IPSS e empresas locais – a trabalhadores estrangeiros. Outro eixo considerado estratégico é o incentivo ao empreendedorismo imigrante, já visível na abertura de pequenos negócios no comércio, restauração e serviços, com impacto na revitalização económica e na coesão territorial.

“Observamos que há uma necessidade de políticas integradas que combinem emprego, habitação e apoio ao investimento local, transformando a imigração numa ferramenta estruturante de repovoamento do interior”, conclui Higor Cerqueira.

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