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Grande poeta é o povo

Grande poeta é o povo, o Valgode

O alfacinha, o Santacruzense e o Portucalense

Portugal inteiro serviçal de outro povo.

Grande poeta é o povo que grita e promete

Rios de liberdade. Mas que no fundo está acorrentado

A dívidas, ao álcool, a crenças religiosas falsas,

Ao fogo do inferno, ao sexo. Por que errado é levar uma

Vida sem nexo, e sem verdadeiro objectivo!

Grande poeta é o povo, o ministro e o presidente

Onde cada um precisa de aprender a presidir

A um, a dois, à família e à nação inteira.

E tu meu rapaz queres presidir um povo,

Quando não és capaz de presidir à tua família?!

Meu grande burguês, talvez talvez talvez

Te rifem a ti e a teu coração

E o vendam na praça, como um pêro na mão.

Grande poeta é povo, o senador, o fala barato,

As finanças para um ministro, o tesoureiro

Que conta euros e sonega impostos.

Grande poeta é o povo e o povo vizinho

Que não se importava de anexar o Portugal dos Pequenitos!

Monção, Valência, Algarve e o Minho

Espanha ficava maior com este cantinho,

E o Zé Povinho só ficava a ganhar,

Eu explico se me derem licença

Eu não tenha nada contra portagens e fronteiras

Podem anexar o restante, até Olivença.

Eu Zé Povinho não sou racista

Eu viveria bem, logo que fosse em paz!

Num mundo sem fronteiras, falando

Uma só língua nem povo andando à míngua!

Grande poeta é o povo, o estado novo

E o velho do Restelo, é um monstro, e um mito.

E às vezes fico aflito e até muito triste

Por ver tantos presidentes e tantas nações

Será que não fazem isso por menos?
Grande mártir é o Zé . Mas rica é a poesia

Que não tem dialectos nem fronteiras

Não tem austeridade e tem vaidade

De não pagar IVA nem paga impostos

Que são tão certos como a morte.

Grande poeta é o Zé, o Valgode, e a Tia e a CIA

Que procuram soletrar entre duas bolachas Maria.

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