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Golpe de estado no Sudão

O presidente do Conselho Soberano, o mais alto órgão de poder no processo de transição do Sudão, general Abdelfatah al Burhan, dissolveu o Governo e o próprio conselho, horas depois de os militares prenderem o primeiro-ministro.

Al Burhan leu uma declaração na televisão estatal sudanesa, na qual anunciou a instauração de um estado de emergência em todo o país.

Abdel Fattah al-Burhane afirmou também que continua vinculado por acordos internacionais assinados pelo seu país, um dos quatro Estados árabes que decidiram recentemente reconhecer Israel.

Num momento em que as ruas de Cartum se encheram de pessoas que denunciam a existência de um “golpe de Estado” em curso, Burhane parece com esta declaração dar um sinal à comunidade internacional, que multiplicou os apelos para que os dirigentes miliares e civis sudaneses regressem ao “processo de transição”.

O Ministério da Informação sudanês anunciou através das redes sociais que as forças armadas estão a disparar contra manifestantes “que rejeitaram o golpe militar” em Cartum.

O exército disparou “munições reais” contra manifestantes que se concentraram no exterior do quartel-general do exército no centro de Cartum, que se encontra protegido com blocos de betão e soldados há vários dias, afirmou o ministério através do Facebook.

O gabinete do primeiro-ministro sudanês, Abdullah Hamdok, detido esta manhã por militares e que se encontra em parte incerta, apelou aos sudaneses numa declaração, igualmente emitida pelo Ministério da Informação, para “se manifestarem” contra o “golpe de Estado”.

“Exortamos o povo sudanês a protestar através de todos os meios pacíficos possíveis”, afirmou o gabinete de Hamdok.

O Governo sudanês culpou hoje os militares pelas eventuais consequências do golpe de Estado, que os militares estão a tentar levar por diante, e confirmou que tanto o primeiro-ministro como a sua esposa se encontram em paradeiro desconhecido.

“A liderança militar do Estado sudanês tem plena responsabilidade pela vida e segurança do primeiro-ministro Abdullah Hamdok e da sua família. Estes líderes são responsáveis pelas consequências criminais, legais e políticas das decisões unilaterais que tomaram”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro numa declaração.

O texto acrescenta que o primeiro-ministro e a sua esposa foram “raptados na segunda-feira de manhã cedo da sua residência de Cartum e levados para um local desconhecido por uma unidade militar”.