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Futebol, Fátima e fado

Ai Jesus que a partir do momento que o Rui Vitória assinou pelo Benfica, as urgências dos hospitais nunca mais deixaram de estar no limite. Ora, as portas ganharam vida; as escadas começaram a ter instintos homicidas, e os animais em dias de jogos do Benfica, começaram a atacar apenas as donas. E é basicamente isto que tem acontecido.

As portas têm vindo a marcar as mulheres de tal forma que algumas aparecem a sangrar e todas pisadas nos hospitais. De repente, as escadas começaram a fazer rasteiras às mulheres e o resultado tem sido braços e pernas partidas. Já os animais de estimação do nada, começaram a morder e arranhar só no final dos jogos do Benfica, ou quando o Benfica sofre um golo. Por isso, como já devem saber, estes últimos meses têm sido um martírio.

É certo que em Portugal as pessoas seguem o futebol até ao extremo: ninguém pode negar. Em Portugal ninguém leva a mal se algum clube realiza uma campanha onde fala em gastar milhões para manter dois ou três jogadores no plantel, por mais influentes que sejam no clube. Afinal de contas – são milhões a pagar quotas, então julgo que nunca haverá receio de lançar uma campanha publicitária desta forma (mesmo em período de crise).

Ontem, dia de dérbi, vi vários comentários de pessoas que diziam dar a vida pelo clube. Algumas pessoas até podem dizer que aquilo é de boca para fora (ou de teclado) e que na realidade não sentem aquilo que estão a dizer verdadeiramente, mas eu fico com as minhas dúvidas. Quem anda minimamente por dentro do tema futebol, sabe os preços que são praticados para o pagamento de quotas, lugares anuais, preços de bilhetes para assistir aos jogos, assim como o valor em redor do merchandising. Será que afinal, estas pessoas não são mesmo capazes de dar a vida pelo clube? Fico com as minhas dúvidas; e claro, cada um faz o que quer da sua vida.

São hábitos antigos de um país que tem como lema: Futebol, Fátima e Fado. Mas é exactamente por isso que por vezes fico preocupado, e ao que me leva por vezes a questionar: Então, mas e as novas gerações, não mudam estes costumes? Ao que tudo indica parece que não.

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