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Fundadora do Arte Institute defende aposta mais forte na cultura como fator de atração

© BOM DIA

O Arte Institute está a celebrar 15 anos de atividade. A fundadora do projeto, Ana Miranda, explicou, em entrevista ao BOM DIA, durante o fórum Portugal Nação Global, que o projeto nasceu em abril de 2011 com o objetivo de mostrar uma nova imagem de Portugal.

“O Arte Institute nasceu da vontade de querermos ver o Portugal contemporâneo”, afirmou. “Víamos muitas manifestações dentro das comunidades, mas que ficava muito restringida à própria comunidade portuguesa, e era sempre aquele Portugal que as pessoas se lembravam (…) e eu não via o Portugal que eu conhecia”, esclareceu.

Segundo Ana Miranda, o projeto surgiu inicialmente em Nova Iorque e foi considerado por muitos como “um projeto megalómano”, mas acabou por seguir um caminho de crescimento sustentado através de parcerias, inovação digital e trabalho contínuo. “Fazíamos ‘live streamings’ há 15 anos, ou seja, fomos trilhando um caminho”, recordou.

A responsável sublinhou ainda o papel das parcerias e da confiança institucional e empresarial no desenvolvimento do projeto, que permitiu ao Arte Institute expandir a sua presença internacional. Até à pandemia, a organização realizou mais de 120 dias de eventos por ano, com um orçamento de cerca de 120 mil dólares (cerca de 102 mil euros) , tendo chegado a 37 países e 128 cidades.

Durante a entrevista, Ana Miranda destacou também a importância da cultura na projeção internacional de Portugal e na ligação com as comunidades portuguesas. A fundadora recordou que, há mais de uma década, já defendia a necessidade de reforçar a presença cultural portuguesa no estrangeiro, destacando que há 14 anos fez uma apresentação sobre como promover Portugal a custo zero.

Ana Miranda referiu também a evolução do turismo em Portugal e defendeu uma aposta mais forte na cultura como fator de atração, sublinhando que o país não pode depender apenas da gastronomia, do clima ou do património histórico. “Porque é que nós vamos a Paris? Vamos ver exposições, não vamos sempre ver a Torre Eiffel. Porque é que vamos a Londres? Vamos ver os musicais e outros museus”, exemplificou.

“As pessoas [que visitam Portugal] não têm todas que ficar sediadas em Lisboa, no Porto ou em Évora. Têm todo um país que, se nós criarmos experiências (…), as pessoas ficam. E isso, em vez de estarem sediadas todas nos mesmos lugares… Depois os lisboetas também dizem que já não têm espaço para eles. É só aumentar, fazer uma economia circular”, sugere.

No âmbito da sua participação no Portugal Nação Global, Ana Miranda assume ter procurado sobretudo ouvir outras perspetivas e reforçar a reflexão sobre o futuro da ligação entre Portugal e a diáspora. “Eu queria ouvir também a perspetiva dos outros, mas ao mesmo tempo também perceber até que ponto é que ainda podemos avançar mais, porque eu estou sempre em busca do que vamos fazer a seguir. Se já demos este passo, então vamos para onde? Porque temos que ter uma estratégia, senão não sabemos para onde é que estamos a andar”, explica.

A responsável teceu elogios à organização do evento, destacando o ambiente de “networking” e a imagem moderna apresentada, considerando-a representativa de um novo posicionamento de Portugal junto das comunidades no estrangeiro.

O Fórum Portugal Nação Global é um evento promovido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em parceria com a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, com a Fundação AEP, com o Banco Português de Fomento e com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Veja a entrevista completa:

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