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Fundação Mário Soares recorda jornais de 1975

O papel dos jornais privados em 1975 do lado da “legitimidade democrática” é transposto para uma “fita do tempo” numa exposição na Fundação Mário Soares a partir da investigação vencedora do prémio daquela instituição em 2019.

O prémio Fundação Mário Soares – Fundação EDP 2019 é entregue no dia do aniversário do antigo Presidente da República e primeiro-ministro Mário Soares, ao investigador Pedro Marques Gomes, pela investigação “Jornais, jornalistas e poder. A imprensa que nasce na revolução e as lutas políticas de 1975”, e que constituiu a tese de doutoramento em História do autor.

A partir da investigação nasceu a exposição “Jornais na Revolução – a imprensa que nasce em 1975”, inaugurada igualmente no sábado.

“A ideia base da exposição é que funcione como uma espécie de fita do tempo do ano de 1975, com os principais acontecimentos do ano, cruzando com as primeiras páginas destes jornais, o que vamos encontrar são vários acontecimentos desse ano a partir de abril, com o surgimento do Jornal Novo, até ao 25 de Novembro, [a operação militar que põe fim ao período revolucionário] ”, disse à Lusa Pedro Marques Gomes.

Em causa estão as publicações Jornal Novo, O Jornal, O Tempo, e A Luta.

O investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa estudou o papel destes periódicos, que, “para além de todas as diferenças que os distinguiam, tinham em comum a defesa daquilo que na época se chamou a legitimidade democrática”.

“Com a defesa e o respeito pelas eleições e pelos resultados eleitorais, afirmavam-se, portanto, como uma alternativa à imprensa que se aproximava daquilo que era a chamada legitimidade revolucionária”, sustentou.

“São todos jornais privados, que surgem no contexto do pós-11 de Março. Grande parte dos jornais nacionais são nacionalizados, e estes jornais surgem a partir de Abril, como contraponto a esses jornais mais identificados com a linha político-militar do primeiro-ministro de então, Vasco Gonçalves”, acrescentou.

Como em toda a imprensa da época, também nestas publicações “a diferença entre informação e opinião era difícil de verificar”, são “peças fundamentais da luta política que se travava no ano de 1975”, e “fizeram, muitas vezes, acontecer, factos políticos”.

“É através do Jornal Novo que é divulgado o Documento dos Nove [ou Documento Melo Antunes], um documento importantíssimo deste período, em agosto de 1975. O Jornal Novo conseguiu publicar em agosto de 1975 este documento, em primeira mão, foi feita uma edição específica no dia da divulgação deste documento, há uma terceira edição do Jornal Novo só para divulgação do documento”, ilustra.

Em suma, como os jornais mais próximos do Gonçalvismo, “este jornais são atores políticos”.

O seu papel em articulação com os acontecimentos entre abril de 1975, com a fundação do Jornal Novo, e o 25 de Novembro, a operação militar que marca o início do fim do processo revolucionário, são o objeto da exposição que estará patente na Fundação Mário Soares.

Na entrega dos prémios e inauguração da exposição estará presente o secretário de Estado Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS).

Na cerimónia será entregue ainda a menção honrosa, atribuída à tese de doutoramento em Sociologia, apresentada por Tânia Reis Alves no Instituto de Ciências Sociais.

José Pacheco Pereira, que foi presidente do júri do prémio deste ano, fará uma intervenção sobre a importância dos arquivos pessoais.