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Fundação António Pargana: Diálogo é chave para estreitar laços com as comunidades

© Luís Vieira Cruz / BOM DIA

Ouvir, discutir, entender e atuar. Esta é a posição que a Fundação António Pargana (FAP) assume quando o tema é o restabelecimento das relações entre Portugal e as comunidades residentes fora do país, afirmou esta semana ao BOM DIA Graça Fonseca, curadora desta instituição e antiga ministra da Cultura, à margem de um encontro com dezenas de jovens lusos promovido pela associação Cap Magellan.

Termina esta terça-feira, 12 de agosto, a décima segunda edição do Encontro de Jovens Lusos, que desde a manhã de dia 7 reúne no concelho de Cascais cerca de 50 jovens lusodescendentes, lusófonos ou falantes da língua portuguesa, com o objetivo principal de debater temas relacionados com o meio ambiente, mas que também lhes permite conhecer melhor o território que por estes dias os acolhe, além de participarem em diversos workshops e trocas de impressões sobre temas tão variados quanto o ensino do português no estrangeiro ou as oportunidades e desafios de uma eventual mudança para território nacional.

Foi sobretudo o diálogo informal que se promoveu durante a tarde de segunda-feira – nas instalações do Agrupamento 71 de Parede, do Corpo Nacional de Escutas – entre os jovens, a curadora da FAP e ex-ministra Graça Fonseca e também a deputada da AD Célia Freire.

A antiga governante começou a sua intervenção por recordar “a riqueza social, económica, cultural e relacional” que Portugal tem “espalhada pelo mundo”, avisando de seguida que a mesma “tem que ser mais bem trabalhada, não com o objetivo de que todos regressem, mas que alguns tenham essa possibilidade”.

Para sustentar este ponto de vista, Graça Fonseca recordou ser “de uma geração que cresceu já em Democracia e que batalhou muito pela liberdade de circulação”. É por isto, frisa, que acredita “muito no valor de sair para fora e projetar por lá aquilo que Portugal é hoje”.

Ainda assim, o estreitar de ligações entre as comunidades portuguesas ao país de origem é uma das prioridades quer da fundação que representa, quer da sua visão no campo político, assume.

Durante a hora em que esteve à conversa com os jovens, a curadora e antiga ministra diz ter “provocado e recebido provocações” no âmbito de uma troca de impressões que considerou “saudável”. Neste período, ouviu exemplos de casos práticos de alguns dos jovens que gostavam que Portugal fosse a sua próxima “casa”, mas que ainda consideram não ter condições para efetivar a mudança.

Ainda nesta sessão, disse que “o processo de recuperação das relações com as comunidades é uma tarefa que não está concluída”, tendo lamentado, inclusive, a falta de progressos durante o tempo em que esteve no Governo.

Convidada a comentar estas declarações à saída do evento, Graça Fonseca esclareceu ao BOM DIA que este é “um tema complexo”, já que “Portugal foi durante muitas décadas um país de emigração”, tendo, por isso, “uma diáspora diversificada e espalhada pelo mundo” que, embora considere “um ativo, é também um desafio”.

Agora curadora na Fundação António Parganha, Graça Fonseca manifesta a vontade de continua a lutar por esta causa: “A fundação tem a missão de conexão com a diáspora, de dar a conhecer o Portugal de hoje à sua diáspora e tem como missão trazer os descendentes até ao país. Conseguir a partir dessas reconexões criar novos laços, para nos ligarmos uns aos outros, construindo uma relação em diálogo com a diáspora e não a partir de uma sala fechada. Fazê-lo de uma forma co-criativa com parceiros. Estas iniciativas são muito importantes para nós porque aqui recebemos ideias e propostas concretas. A partir daqui, podemos pegar nesta matéria e desenhar projetos e iniciativas da fundação que vão ao encontro daquilo que aqui nos disseram que seria importante para esta reconexão para o país”.

Curadora da FAP defende sociedade civil mais forte

Ao BOM DIA, Graça Fonseca disse ainda acreditar no poder participativo e no poder da cidadania, essenciais, no seu ponto de vista, “para que a mudança seja feita de fora para dentro”.

“Porque é que nunca resolvemos o problema da ligação à diáspora?”, questionou. “Porque primeiro é preciso saber o ‘porquê’ e em seguida conseguir construir soluções em diálogo com quem será o destinatário das decisões que estamos a tomar”, respondeu, referindo-se aos portugueses de terceira e quarta geração.

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