O Festival Eñe (que decorre entre 11 e 30 de novembro, em Madrid e Málaga), no Círculo de Bellas Artes, em Madrid, tem este ano uma edição que destaca Portugal como país convidado. De Lídia Jorge e Gonçalo M. Tavares a Rodrigo Leão, Selma Uamusse, Patrícia Portela, Rui Couceiro, José Luís Peixoto ou Catarina Vasconcelos, as vozes de Portugal enchem Madrid de imaginação, beleza e um inconfundível sotaque português.
Tavares e Couceiro participaram, a 15 de novembro, na mesa-redonda “El placer de crear mundos propios”, que contou com a presença do escritor espanhol Juan Gómez Bárcena. A sessão integrou o programa oficial do festival e enquadrou-se no eixo dedicado ao tema do “prazer” enquanto motor de criação literária.
De acordo com uma publicação feita pela embaixada de Portugal em Madrid nas redes sociais, “a conversa reuniu três autores de gerações e percursos distintos, centrando-se no modo como cada um constrói os seus universos narrativos”.




Segundo a mesma fonte, a participação de Tavares e Couceiro foi mencionada em meios de comunicação espanhóis, como o diário La Razón, que destacaram o “momento de enorme auge das letras portuguesas” e a relevância de incluir autores portugueses de perfis diversos no festival.
“A presença conjunta de Gonçalo M. Tavares, um dos autores portugueses contemporâneos com maior circulação internacional, e de Rui Couceiro, escritor e editor em ascensão, reforçou a aposta do Festival Eñe na diversidade da literatura portuguesa e no diálogo ibérico em torno das práticas narrativas.”, lê-se na referida publicação.
Já a escritora Lídia Jorge passou por Madrid nos dias 13 e 14 de novembro, numa programação que combinou encontros académicos, apresentação em livraria e participação no Festival Eñe.

Lídia Jorge esteve na Universidad Autónoma de Madrid (UAM), integrada no ciclo “Encontros com a Literatura”, organizado pelo Centro de Língua Portuguesa de Madrid. Ao longo de duas sessões, dirigidas sobretudo a estudantes de estudos portugueses e hispânicos, a autora falou sobre os temas centrais da sua obra, respondendo a questões sobre memória, política, linguagem e o lugar da ficção na leitura do real.
A escritora portuguesa apresentou na Librería Alberti a edição espanhola de “El día de los Prodigios”, a tradução de “O Dia dos Prodígios”. A sessão integrou uma breve conversa com a editora e leitura de excertos, seguida de diálogo com o público.
No dia seguinte, 14 de novembro, a escritora participou no Festival Eñe, no Círculo de Bellas Artes, na conversa intitulada “El placer y el dolor de narrar”, ao lado do escritor grego Theodor Kallifatides e com moderação de Montserrat Domínguez. A discussão centrou-se nas motivações e tensões do ato de narrar.
José Luís Peixoto declamou “Arte Poética” no dia 13 de novembro, no El Corte Inglés, em Madrid, no âmbito do referido festival. A sessão, conduzida pelo poeta e divulgador Gonzalo Escarpa, destacou também o lançamento do mais recente livro do autor português, “A Montanha”, uma obra que aprofunda temas de fragilidade humana, ausência e transcendência.