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Festival do Cinema Lusófono volta a Nice e Beausoleil

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Entre os dias 25 e 31 de março, Nice e Beausoleil recebem mais uma edição do Festival do Cinema Lusófono, organizado pela Association Espace de Communication Lusophone, presidida por Catarina Clemente de Barros.

Durante sete dias, o festival propõe ao público uma viagem pelas cinematografias de língua portuguesa, abrangendo o Brasil, Portugal, África lusófona e as diásporas. O programa combina estreias, filmes premiados e novas vozes autorais, privilegiando a diversidade.

As sessões terão lugar no Cinéma Jean-Paul Belmondo e no Théâtre Michel Daner, transformando-se num espaço de diálogo cultural e de visibilidade para os criadores lusófonos no contexto francófono. O programa deste ano explora desde o realismo urbano brasileiro ao fantástico português, do épico histórico às distopias contemporâneas, mostrando a riqueza e diversidade do cinema em língua portuguesa.

A iniciativa da Association Espace de Communication Lusophone continua a consolidar pontes culturais e a oferecer ao público francês uma janela privilegiada para a lusofonia cinematográfica, reforçando o papel do festival como um território de encontros, diásporas e reinvenções artísticas.

Programa completo:

Dia 25 de março, 20h00 | “Baby” de Marcelo Caetano: drama, romance (Brasil, 2024, 1h47)

O novo trabalho do brasileiro Marcelo Caetano regressa ao universo urbano de São Paulo para acompanhar Wellington, jovem recém‑saído de um centro de detenção para menores. Sem família nem recursos, encontra em Ronaldo uma inesperada forma de sobrevivência e afeto. Premiado em Biarritz e revelação na Semana da Crítica de Cannes, o filme confirma a aposta do realizador numa abordagem humanista, focada em corpos marginalizados e na procura de pertença.

Dia 26 de março, 20h00 | “A Árvore do Conhecimento” de Eugène Green: Drama, fantástico (Portugal/França, 2025, 1h40)

O cineasta luso‑francês Eugène Green apresenta um conto moderno com ecos de fábula. Gaspar, adolescente natural de Lisboa, é capturado por um ogre que devora turistas transformados em animais. A fuga com um cão e uma burra desencadeia uma viagem iniciática marcada por amor, liberdade e metamorfose. Eugène Green explorar de novo a dimensão espiritual do cinema, numa obra que junta tradição literária portuguesa e imaginação fantástica.

.Dia 27 de março, 20h00 | “Justa” de Teresa Villaverde: Drama (Portugal/França, 2023, 1h30)

Teresa Villaverde assina uma obra marcada pela intensidade emocional que caracteriza a sua filmografia e que saiu recentemente nas salas de cinema francesas. Após um incêndio impactante num povoado isolado, os sobreviventes enfrentam luto, silêncio e memórias que insistem em regressar.

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Selecionada no Rio e na Berlinale, a obra reforça Teresa Villaverde como uma das vozes mais consistentes na representação da fragilidade humana e das feridas das comunidades.

Dia 28 de março, 19h30 | “Magalhães” de Lav Diaz: Biopic, drama (Espanha/Portugal/Filipinas, 2025, 2h36)

Lav Diaz, realizador filipino especialista em cinema de longa duração, apresenta “Magalhães”, uma obra que revisita a figura de Fernão de Magalhães, explorando o conflito entre ambição, poder e destino. O ator Gael García Bernal tem o papel principal num filme que acompanha a preparação e a travessia da primeira circum-navegação, enfrentando tempestades, motins e dilemas morais.

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Dia 29 de março, 16h30 | “O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho: Thriller, drama (Brasil/Europa, 2025, 2h40)

Kleber Mendonça Filho mergulha no Brasil de 1977 para contar a história de Marcelo, homem que tenta reconstruir a vida em Recife enquanto o passado o persegue em pleno Carnaval. Com distinções em Cannes, Globos de Ouro e Critics Choice, e nomeações aos Óscares, o filme conjuga suspense político, crítica social e uma direção de atores singular, com destaque para Wagner Moura.

Dia 30 de março, 20h00 | “On Falling” de Laura Carreira: Drama (Reino Unido/Portugal, 2024, 1h44)

.A realizadora luso‑escocesa Laura Carreira, premiada em Toronto e San Sebastián, apresenta um filme que é um retrato íntimo da vida de Aurora, emigrante portuguesa na Escócia.

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Entre trabalho precário, solidão e perda de identidade, a obra mostra com delicadeza a experiência migratória e a sensação de queda que acompanha quem vive uma situação semelhante.

Dia 31 de março, 20h00 | “O último azul” de Gabriel Mascaro: Drama, fantástico, aventura (Brasil/México/Chile/Países Baixos, 2025, 1h26)

Gabriel Mascaro regressa com um filme distópico e poético. Num futuro próximo, o Governo brasileiro obriga idosos a viver em colónias isoladas. Tereza, 77 anos, recusa esse destino e parte numa travessia pela Amazónia para preservar a liberdade e cumprir um sonho. Vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de cinema de Berlim, a longa-metragem conjuga crítica social e imaginação futurista. Destaque para a interpretação de Denise Weinberg.

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