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Europa critica FIFA e está preocupada com acesso dos fãs ao Mundial

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O comissário europeu do Desporto, Glenn Micallef, dirigiu duras críticas à FIFA e ao seu presidente, Gianni Infantino, acusando a entidade de falhar na garantia da segurança dos adeptos no Mundial 2026 e de se associar a iniciativas políticas controversas, como o Board of Peace promovido pelo antigo presidente norte-americano Donald Trump. Em entrevista exclusiva ao jornal Politico, o responsável da Comissão Europeia deixou ainda advertências sobre o risco de a Rússia usar o desporto como ferramenta de propaganda e expressou reservas quanto aos planos da NBA para criar uma liga fechada de basquetebol na Europa.

Com o Mundial de 2026 a aproximar-se – coorganizado pelos EUA, Canadá e México –, Micallef mostrou-se preocupado com a segurança dos adeptos europeus, especialmente num contexto de escalada de tensões geopolíticas. O comissário revelou que, após um encontro com Infantino em Bruxelas no mês passado, a FIFA não deu qualquer seguimento às preocupações levantadas pela UE, apesar dos pedidos de garantias adicionais face à guerra no Médio Oriente e aos riscos associados à presença de agentes da Immigration and Customs Enforcement (ICE) nos estádios norte-americanos.

“Pedi a Infantino que assegurasse a segurança dos que viajam para o Mundial. Não houve qualquer resposta”, afirmou Micallef, sublinhando que, com um dos países anfitriões (os EUA) envolvido num conflito armado, é “legítimo” exigir “garantias de segurança pública”. A situação agrava-se com a onda de violência em cidades mexicanas como Guadalajara – onde estão marcados quatro jogos do torneio – após a morte de um líder cartéis em Jalisco.

Em resposta, a FIFA limitou-se a afirmar, através de um porta-voz, que a segurança é a sua “prioridade máxima” e que confia nas medidas adotadas pelos três países anfitriões. Questionado sobre se a entidade está a falhar nestas questões, Micallef foi diplomático, mas claro: “Digamos que há margem para mais clareza”.

Outro ponto de discórdia é a parceria da FIFA com o Board of Peace for Gaza, uma iniciativa apoiada por Donald Trump que tem gerado desconfiança na Europa por ser vista como uma tentativa de marginalizar as Nações Unidas. A FIFA comprometeu-se a investir 75 milhões de dólares em infraestruturas desportivas em Gaza, numa altura em que os EUA e Israel intensificavam os ataques ao Irão.

“A FIFA tem muito que explicar sobre isto”, afirmou Glenn Micallef, defendendo que a entidade deveria privilegiar parcerias com organizações multilaterais como a UNESCO ou a UNICEF, que respeitam a “ordem internacional baseada em regras”. O comissário europeu deixou ainda um reparo geral aos líderes desportivos internacionais, incluindo Infantino, a presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, e o presidente do Comité Paraolímpico, Andrew Parsons: “Acho que há, certamente, margem para melhorias”.

Micallef dirigiu também críticas aos planos da NBA para lançar uma competição de basquetebol na Europa em 2025. O modelo proposto, que prevê equipas permanentes em mercados-chave (incluindo capitais da UE), choca com o princípio europeu de promoção e despromoção por mérito desportivo, já posto em causa pela existência da Euroleague, uma liga semi-fechada onde a maioria das equipas tem licenças de longo prazo.

“A única coisa pior do que uma liga fechada no basquetebol europeu é ter duas ligas fechadas”, declarou o comissário, defendendo que o modelo desportivo europeu deve assentar na “solidariedade, abertura das competições e mérito desportivo”. Embora a NBA argumente que o seu projeto prevê alguma flexibilidade, Micallef considerou a situação “pouco ideal” e apelou a um diálogo entre as partes para evitar litígios judiciais.

Por fim, Micallef abordou a reintegração progressiva de atletas russos em competições internacionais, como os recentemente disputados Jogos Paraolímpicos de Inverno, onde a Rússia competiu com bandeira e hino nacionais. Embora reconheça a autonomia das federações desportivas, o comissário europeu foi perentório: “Não acho que o desporto deva ser usado como plataforma de propaganda política por quem está envolvido em guerras de agressão”.

“Do ponto de vista da segurança pública, a participação de países em guerra levanta preocupações legítimas”, sublinhou, acrescentando que espera poder discutir o tema com o COI e os Comités Olímpicos Europeus. “O mais importante é que os atletas, adeptos e participantes possam competir num ambiente seguro”, rematou.

Perante as críticas, a FIFA reagiu através de um porta-voz, enumerando os feitos de Infantino ao longo de uma década à frente da entidade, como o crescimento do futebol feminino e a expansão de competições. Quanto às parcerias políticas, a organização afirmou que o apoio ao Board of Peace está “totalmente alinhado com o mandato da FIFA de desenvolver o futebol em todo o mundo”.

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