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Em terras de Pinheirinho Branco

Era Dezembro, e ainda não tinha nevado em terras de Pinheirinho Branco. Lá no cimo, escondido atrás das nuvens, estava o Floco de neve, teimoso como ele só. Decidiu que este ano não iria nevar. Estava aborrecido pois no ano anterior ninguém lhe prestou atenção.

Lá em baixo, perto da floresta, vivia uma Menina que nunca tinha visto neve. Mudara-se para ali há pouco tempo e tinha esperança de fazer o seu primeiro boneco de neve. Todos os dias dirigia-se à janela do seu quarto, levando uma bolacha e um copo de leite, olhava para o céu e pedia que nevasse.

– Cai só um bocadinho para eu ver, se faz favor. Queria saber como era fria e macia a neve. Por favor! – pedia a menina.

O Floco de neve observava a cena. Que ridículo! – pensava – Eu não sou o pai Natal para precisar de lanche! Daqui não saio!

Dia após dia,  a Menina continuava na esperança de ver neve. O Floco, por seu lado, continuava a ignorá-la.

Certo dia, estava o Floco aconchegado na sua nuvem, reparou que a Menina deixara de aparecer. Deve-ser ter cansado, dizia. Ainda bem! Passavam os dias e a menina continuava a não aparecer.

O Floco começou a ficar intrigado pela ausência da Menina. O que teria acontecido? Estava ansioso à medida que os dias passavam. Contrariado decidiu então descer. Juntou todas as suas forças e caiu pelas nuvens. Como era gracioso o Floco de neve!

Foi então que caiu na janela do quarto da Menina. Ficou bem encostadinho, tentando perceber o que se passava. Viu uma senhora deitada numa cama e ao lado, sentada, chorava a Menina. O Floco bateu à janela mas a Menina parecia não ouvir. Continuou a bater, cada vez com mais força. Ao fim de algum tempo, a Menina olhou para a janela e viu o Floco de neve. Já não parecia a mesma menina que, dias antes, olhava feliz para o céu.

– O que tens? – perguntou o Floco. Eu estou aqui. Não era o que querias?

– Enquanto eu pedia que nevasse, a minha avó ficou muito doente. Fui egoísta ter um desejo só para mim. Já não me interessa, só quero que a minha avó fique boa.

O Floco de neve sentiu-se angustiado. – Eu é que fui muito egoísta, desculpa Menina. Não quis que nevasse pois achava que ninguém queria saber de mim.

As lágrimas que caíam do rosto da Menina fizeram com que o Floco de neve se enchesse de amor e começasse finalmente a nevar. A Menina espreitou pela janela, sorriu e disse emocionada:

– Avó, está a nevar!

O coração quente da neta começou a encher-se de alegria e contagiou todo o quarto. A avó abriu os olhos e olhou para a janela:

– É Natal, minha netinha!

O Floco de neve, feliz, desapareceu. E nunca mais faltou neve em terras de Pinheirinho Branco.

 

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