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Dois mais dois são quatro?

Clique para ampliar Nada como a frieza dos números para tornar afirmações malucas, mais respeitáveis.

Aliás, não é sem razão que o povo costuma dizer que dois, mais dois são quatro, quando quer atestar a veracidade de certo fato.

Mas os números, também podem servir para a s maiores aldrabices, se forem manipulados por quem sabe da poda. Neste caso, não costumamos chamar a manipulação de criminosa, mas antes, de engenharia financeira. Soa melhor, parece uma coisa séria, mas, no fundo, é malandragem de alto coturno, de colarinho branco. Veja-se o que aconteceu com o BPN, o BPP, o BES e por aí fora, para apenas referir os grandes sarilhos que se abateram sobre a cabeça do Zé, deixando de lado os casos individuais, tipo Vale e Azevedo, Duarte Lima, e, mais recentemente os atribuídos a Sócrates e por aí fora, muito por aí fora.

Em boa verdade, estes casos vêm provar que os números já não são o que eram, ou que, quem os «trabalha», já conheceu melhores dias no que respeita a seriedade.

Faz-me lembrar aquela estória que se conta, quando dois soldados russos, famintos, na Grande Guerra, iam por uma rua fora e um deles encontrou, junto ao passeio uma carcaça. O outro, olhando para o pão, disse para o companheiro: «camarada, vamos dividir esse pão segundo as regras do são comunismo e da solidariedade entre os povos….», ao que o outro interrompeu de imediato: «nada disso, é metade para cada um!»

Portanto, esta coisa dos números tem que se lhe diga.

Daí que o pessoal aqui do retângulo, tenha hoje acordado meio friorento, meio desconfiado, com o anúncio do governo de que iria criar estágios profissionais para desempregados de longa duração, com, pelo menos um ano de desemprego e com mais de trinta anos.

Ora, em ano de eleições, fica sempre bem atirar cá para fora com uns números e umas estatísticas que favoreçam quem governa. Há muitos desempregados? A coisa não cede e raia o escândalo, Bruxelas está alarmada? Arranjam-se uns estágios para a rapaziada, com duração de seis meses e mal pagos, para fingir que estão a trabalhar e logo os números do desemprego vêm por aí abaixo. O governo soltando uns foguetes de mijarete, a oposição esperneia de arrepela os cabelos, afirmando que os estágios são pagos com o dinheiro dos contribuintes e não dos patrões, a rapaziada vai-se entretendo com uns debates na TV e uns programas de opinião nas rádios, entretanto metem-se as eleições, o governo atira com os números indesmentíveis do desemprego a descer e, depois das eleições, quem vier atrás que feche a porta, porque, passados os seis meses dos estágios e as eleições, ninguém consegue mesmo arranjar trabalho à pala dos estágios que o governo proporcionou e nós pagámos.

Lá para novembro, volta tudo à paz do senhor, ou seja, os patrões tiverem trabalhadores de borla durante meio ano, nós pagámos aquilo tudo e os «estagiários» bolseiros, continuarão desempregados e ainda mais tesos porque, 400 Euros brutos por mês, mal chega para pagar o passe dos transportes, quando não fazem greve, para irem trabalhar.

Mas o que vale são as estatísticas que vão para Bruxelas. E, neste caso, os números não mentem.

Faltam é um pedaço à verdade.

Hélder Freire
Jornalista, Lisboa

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