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Deputados madeirenses aprovam louvor a Guaidó

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira aprovou, por maioria, um voto de louvor do grupo parlamentar do CDS/PP “à coragem e firmeza de Juan Guaidó” na sua luta por uma Venezuela democrática.

O partido proponente [CDS/PP], o PSD, o PS, o JPP e o deputado não inscrito [ex-PND] votaram a favor do louvor a Juan Guaidó, condenando a atual situação política, económica e social na Venezuela.

O BE absteve-se e o PCP votou contra. O deputado do BE Roberto Almada, apesar de condenar o regime de Nicolas Maduro, justificou a posição do partido com o argumento de que Juan Guaidó “defende uma intervenção externa” na Venezuela.

O deputado do PCP Ricardo Lume disse não poder apoiar um louvor “a um indivíduo” que apela à União Europeia para criar mais sanções e que defende uma intervenção militar no país “martirizando ainda mais o seu povo”.

O deputado do PSD Sérgio Marques criticou a posição de “neutralidade” do BE, considerando ser “uma forma encapotada de manter Maduro no poder”.

A deputada do PTP Raquel Coelho não participou na votação por se encontrar, na altura, ausente do hemiciclo.

“É com redobrada preocupação que todos os madeirenses – representados neste Parlamento pelos deputados aqui presentes – olham para a situação por que passa a Venezuela”, diz o voto apresentado pelo CDS/PP.

O voto realça que os madeirenses “olham para Juan Guaidó como alguém que pode trazer a Venezuela de regresso à normalidade política e ao seio da comunidade internacional. Como alguém que, pela coragem e firmeza já demonstradas, pode mudar o destino da comunidade madeirense e de todos os venezuelanos, promovendo uma mudança política que se terá de se materializar em eleições livres e plenamente democráticas”.

“O voto é igualmente o reconhecimento simbólico de Juan Guaidó como legítimo Presidente da Venezuela e homenagem simbólica à tenacidade, à capacidade de trabalho e de resistência da comunidade madeirense na Venezuela”, conclui.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.