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“Corações de Pedra” de Simon Scarrow

Ficha técnica

Título – Corações de Pedra

Autor – Simon Scarrow

Editora – Saída de Emergência

Páginas – 410

Opinião

Estou a escrever esta opinião praticamente dez dias depois de ter terminado a leitura de uma obra que comprei há mais de um ano atrás para o maridinho. Recordo-me da reação dele quando lhe perguntei, como sempre faço, se tinha gostado da leitura. É verdade que o que eu tenho a mais de expressividade, o maridinho tem a menos, mas já consigo compreender, mesmo que as suas reações sejam pouco expressivas, quando uma obra lhe agrada muito ou pouco. E recordo que fiquei com a sensação de que Corações de Pedra não o tinha deslumbrado. Agora que eu própria li a obra, percebo ainda melhor essa sensação.

Como já referi, terminei de ler este livro há quase dez dias, mas tenho que confessar que o intervalo que tempo que decorreu desde o dia doze pouco ou nada tem a ver com aquilo que será o teor desta opinião, isto é, que a obra arranca com uma premissa muito prometedora e termina arrastando-se e enovelando-se em momentos quase sem fim de descrições bélicas, estratégicas, em muitas e muitas páginas que, apenas no final, fazem a ponte (bastante rebuscada, no meu ponto de vista) com as personagens e a trama inicial.

Se consultarem a sinopse, constatam que a ação começa em 1938, na ilha grega de Lefkas. É lá que se encontra um professor alemão, o Doutor Karl Muller, responsável pelas escavações arqueológicas levadas a cabo a mando da Universidade de Berlim e o seu filho, Peter Muller, que entretanto travou amizade com dois jovens locais. A Europa está prestes a envolver-se noutro conflito bélico de proporções mundiais e o Dr. Muller é informado de que tem que regressar à Alemanha. No último dia que partilham juntos, Peter e os seus amigos gregos – Andreas e Eleni – prometem voltar a encontrar-se o mais rápido possível.

A guerra estala entretanto e os dois países – Alemanha e Grécia – estão em lados opostos. Andreas alista-se na Marinha grega e posteriormente envolver-se-á com as forças de resistência, às quais Eleni dará uma ajuda preciosa. Peter, agora um oficial nazi, regressa à Grécia e à ilha de Lefkas e o encontro entre os três é inevitável. Se juntarmos a tudo isto uma descoberta importantíssima que o Dr. Muller fez, em 1938, no último dia que passa na ilha grega, temos os ingredientes essenciais para uma narrativa muito prometedora. Contudo, e reitero que o que vou dizer a seguir é apenas a minha perspetiva, apenas a leitura que fiz desta obra, à medida que ia avançando nas páginas, fui perdendo o entusiasmo e sentindo que uma experiência que parecia ter tudo para ser empolgante, acabou tornando-se enfadonha e arrastada, levando a que eu sentisse, acima de tudo, alívio por tê-la terminado. Não fui capaz de criar grande empatia com as personagens, achei que não houve grande evolução nas mesmas, as relações que as unem são bastante mornas e a parte final, aquela que permite que os três amigos se reúnam novamente, poderia ser muito mais bem explorada. Para além disso, como já referi, considero que a narrativa se enovelou demasiado em descrições de conflitos, de armamentos e coisas similares e isso, pelo menos para mim, foi algo aborrecido, que me levou a ler algumas partes na diagonal.

Contudo, mesmo tendo em conta tudo o que de menos bom possui esta obra, acho que saí da sua leitura mais informada acerca da Segunda Grande Guerra, pois, apesar de já ter lido imensas obras relacionadas com este conflito, pouco ou nada sabia de como o mesmo havia afetado a Grécia e os seus habitantes. Sendo assim, não posso afirmar que ler esta obra tenha sido uma pura perda de tempo. Nada disso. Acho apenas que, com uma premissa tão entusiasmante, as minhas expectativas saíram muito goradas e não encontrei em Corações de Pedra aquilo que já encontrei em outras obras dedicadas à temática e que me maravilharam.

Assim sendo, não posso dar-lhe mais do que uma nota mediana e nem posso recomendá-la a quem queira mergulhar na Segunda Grande Guerra através de uma narrativa arrebatadora e recheada de emoção e de personagens inesquecíveis.

NOTA – 05/10

Sinopse

1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni.
À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo.

1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa – agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam…

in O sabor dos meus livros