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Conto do vigário? Talvez não

Dizia-me um velho amigo, que nos dias que correm, não se pode acreditar em ninguém.

E acrescentava, fazendo grandes gestos de indignação: outrora, quando ia ao banco, mal me ouviam… Agora até telefonam, oferecendo serviços…Temos gerente de conta, que em lugar de aconselhar os melhores produtos, tentam impingir o que lhe interessa.

Mas esse modo de impingir – continuou, – estende-se também às empresas telefónicas e elétricas, que oferecem descontos, que terminam decorrido meses…

Contei-lhe, então, o que aconteceu, quando, há anos, adquiri um computador:

Após escolher marca e preço, sob o conselho de simpático e entendido vendedor, resolvi, comprar o “portátil”, que tinha, como é usual, dois anos de garantia.

No ato de pagamento, aconselharam-me seguro, que permitia prolongar a garantia mais três anos.

Pensei: “ Os computadores avariam com facilidade, além de ficarem lentos, após meses de uso”. Aceitei a gentil oferta, que me protegia de aborrecimentos e despesa por cinco anos…

Passaram quatro anos, e no início do quinto, o computador estava tão preguiçoso que era impossível utilizá-lo.

Dirigi-me à loja com a garantia na mão. Disseram-me que nada era com eles. Deveria escrever à seguradora e incluir fotocópia de documentos.

Depois, aguardar resposta e a visita do inspetor, para verificar a avaria ou sinistro

Regressei desiludido; mas mais desiludido fiquei ao reler as letras grandes e miudinhas do contrato, verificando que os três anos de garantia, iniciavam-se no inicio da compra. Apenas tive direito a um ano, já que o fabricante assegurava as reparações necessárias, durante os primeiros dois.

Tudo estava lá explicado, mas eu, na boa-fé, não me dei ao trabalho de ler cuidadosamente o documento. Acreditei no “ conselho” amigo do vendedor.

Meu velho companheiro ouviu toda a peripécia atentamente, e batendo levemente a mão espalmada, no meu omoplata, exclamou ironicamente:

– “E eu que acreditava, que agora, com a: liberdade, igualdade e fraternidade, já não havia habilidosos… como outrora”.

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