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Com oito anos de atraso foi inaugurado o novo aeroporto de Berlim

O novo aeroporto de Berlim recebeu este sábado o seu primeiro voo, numa inauguração com oito anos de atraso, custos multimilionários e expetativas de baixo tráfego por causa da pandemia de covid-19.

A inauguração do aeroporto Willy Brandt (antigo chanceler alemão, 1969-1974) – ou BER como também será chamado – foi feito sem cerimónias de abertura – simplesmente, com um avião oriundo de Munique que pousou na pista – e isso não se deve apenas à pandemia, mas, antes de mais, por causa da história do projeto, cheio de contratempos.

Mesmo o início do funcionamento foi atribulado: os dois voos inaugurais, um que saiu de Munique e outro oriundo de Tegel (o outro aeroporto de Berlim, que fica agora fora de serviço), aterraram com atrasos, por causa do mau tempo.

Mas os contratempos começaram muito antes destes atrasos episódicos, com adiamentos sucessivos e aumentos de custos voluptuosos.

A inauguração, inicialmente prevista para maio de 2012, teve de ser adiada sete vezes, o que gerou aumento de custos.

Inicialmente – quando a construção teve início em 2006 – foram calculados custos de 2.000 milhões de euros, mas, após sucessivos adiamentos, devido a várias falhas de construção, o preço final aumentou 225%, para 6.500 milhões de euros.

Agora, com a pandemia e a substancial diminuição de tráfego aéreo, a situação do novo aeroporto de Berlim fica ainda mais agravada.

A tímida inauguração foi acompanhada por protestos de pequenos grupos de pessoas que, já antes da chegada dos primeiros voos, se reuniram perto do novo aeroporto para protestar contra esta obra.

Membros de um grupo que se autodenomina Am Boden bleiben (Ficar no solo) rejeitam a abertura de um novo grande aeroporto no meio de uma crise climática, quando o objetivo deveria ser reduzir drasticamente o tráfego aéreo.

“Somos contra os voos internos na Alemanha e pelo encerramento de aeroportos regionais”, disse a porta-voz do movimento, Lena Tucknack.

Alguns dos manifestantes mascararam-se de pinguins para protestar contra o papel do tráfego aéreo no aquecimento global.

Em alguns cartazes, o aeroporto foi descrito como um “museu do capitalismo fóssil” e grupos de habitantes vizinhos também exigiram melhor proteção contra o ruído que o novo aeroporto vai gerar.

Outros críticos argumentam que os atrasos tornam o aeroporto desatualizado e incapaz de atender às necessidades de Berlim.

No entanto, o sentimento dos responsáveis é de alívio.

“O BER deixou-nos à espera, mas finalmente conseguimos”, disse o ministro dos Transportes, Andreas Scheuer.

No outro lado de Berlim, o Tegel vai agora encerrar o funcionamento, depois de ter sido um pequeno aeroporto destinado a viagens curtas, pela sua proximidade ao centro da cidade, mas os moradores da zona agradecem o fim do ruído dos seus aviões.